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Psicopatologia Forense Português Isto ou Aquilo?
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Índice
Português
Isto ou Aquilo?
Hífen
Idades em décadas
Não erre
Editoração
Facultativo
Nomina anatomica
Catarata
Tabes e nomes específicos
Vícios de linguagem  

 
 
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Isto ou Aquilo?


Isto ou Aquilo? == Imaginologia ou Imagenologia? ==

Imaginologia ou Imagenologia?
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

Pergunta : Como se escreve: imaginologia ou imagenologia. Trata-se de termo muito usado atualmente em medicina.

Resposta : Escreva imaginologia.
Isto ou Aquilo? == Hiperidrose ou hiper-hidrose? ==

Hiperidrose ou hiper-hidrose?
Ambas são formas oficializadas pela Academia Brasileira de Letras, visto que constam no VOLP (Voc. Ort. da Língua Bras., 2004). Talvez hiperidrose seja melhor forma. É a mais usada. Há na página da Bireme (www.bireme.br) 1.216 ocorrências de hiperidrose e só uma de hiper-hidrose.



Entre os dicionários médicos, o de L. Rey (2003), o de H. Fortes & G. Pacheco (1975), o Polisuk & Goldfeld (1998) dão apenas hiperidrose. A mesma exclusividade ocorre em recomendados dicionários portugueses como o da Academia das Ciências de Lisboa (2001), o  Bertrand Russel (1996),o dic. José Pedro Machado (1991), um dos mais reverenciados de Portugal, e outros. O Aurélio (2004) dá apenas hiper-hidrose. O Houaiss (2001) atesta as duas formas e registra hiperidrose como forma não preferencial, sem relatar por quê. Mas o UNESP (2004), o Aulete (1980), o Michaelis (1968), o Antenor Nascentes (1988), o Silveira Bueno (s.d.), o Cândido de Oliveira (1971) e muitos outros consignam apenas hiperidrose.



Sabe-se que nem sempre a maioria tem razão. Contudo, é tendência consubstanciada na reforma ortográfica de 1943 –, que deu origem à atual e averbada no VOLP –, a eliminação do hífen, talvez seja por causa das confusões com o seu uso, talvez seja pela observação do próprio princípio de simplificação da escrita, que tem norteado as reformas. Cita-se como exemplo, a ortografia castelhana que, de regra, não tem hifenizações nos termos compostos. Nessa literatura, a forma regular é hiperidrosis. Se forem tidas em conta essas considerações, hiperidrose é forma de escolha.  



São forma não recomendáveis hiper hidrose e hiperhidrose, visto como os prefixos não são termos autônomos com poucas exceções e, em português, o h mediano sem vocalização foi oficialmente abolido desde a reforma ortográfica acima mencionada.



Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Unha encravada ou Onicocriptose? ==

Unha encravada ou Onicocriptose?
Unha encravada. Dizer popular. Termo médico: onicocriptose, como está nos dicionários médicos de Pedro Pinto, 1992 e Polisuk & Goldfeld, 1998. O Stedman (1996) traz onychocryptosis com tradução onicocriptose. O vocabulário oficial da Academia Brasileira de Letras (2004) atesta  esse termo. Do grego ónix, ónichos, unha, e kryptein, esconder. Também se diz onicocriptia. Adjetivos: onicocriptósico, onicocriptótico. Convém usar preferencialmente termos médicos em comunicações formais em lugar de denominações de cunho popular.



Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Numeral ou algarismo? ==

Numeral ou algarismo?
Em uma frase, os numerais são os elementos que têm melhor sentido sintático, não os algarismos, que vão melhor em expressões aritméticas, matemáticas, estatísticas. Em lugar de "O paciente se queixa que há 2 dias vem tendo febre", escreve-se: O paciente se queixa que há dois dias vem tendo febre. Nesse caso, duas é um numeral, forma que é mais adequada como elemento sintático.

Muitos usam algarismos em lugar de numerais por serem mais sintéticos, escrevem-se mais depressa, mas em um texto formal, há mais qualidade e organização usar algarismos e numerais adequadamente em seus respectivos lugares, em lugar de usá-los indiscriminadamente, o que dá aspecto de desorganização e despadronização em um texto formal, especialmente o científico, por sua seriedade.

Existem algumas exceções (mesmo assim, de uso opcional) por causa da consagração de seu uso: idade das pessoas, datas. Mesmo assim, em muitos documentos costuma-se escrever tudo por extenso.

Não é erro usar ora numerais ora algarismos em um texto, tendo em vista a existência desses usos na linguagem geral escrita. Mas, em um relato científico formal, há mais qualidade, por disciplina, em usar numerais em lugar de algarismos, exceto quando os algarismos expressam dados estatísticos, contas, enumerações de itens, resultados de exames e similares.

Simônides Bacelar
Isto ou Aquilo? == DHL ou LDH? ==

DHL ou LDH?
Siglas de desidrogenase láctica.


A forma regular seria DL, mas não é usada.

Em inglês, lactic deshydrogenase, cuja sigla é LDH. Em português deu DHL, forma preferencial entre nós.


Como se trata de nome do gênero feminino, é impróprio dizer: "o DHL sérico”, “o DHL pleural”, “o nível do DHL”, “pacientes com um DHL > 1000UI/l” e outros dizeres que estão na literatura médica, talvez influência do hábito de uso apenas da sigla, por associação com o gênero das letras, que são do gênero masculino.

Adequadamente, se diz a DHL sérica, níveis plueurais da DHL.

O uso do nome por extenso evita a mudança de gênero, o que calha bem em relatos formais.



Nos dicionários, há láctico e lático. O Houaiss (2001) dá lático com remissão para láctico, o que indica ser essa a forma preferencial. As duas grafias estão atestadas no VOLP (2004).



Simônides Bacelar


Isto ou Aquilo? == Artrite psoriásica ou psoriátrica? ==

Artrite psoriásica ou psoriátrica?
Artrite psoriásica ou psoriátrica ou psoriática ou psoríaca ou psórica.


Todas são expressões que constam na linguagem médica, como se vêem nas páginas de busca da Internet.



Psoríaco e psórico são o que consta do VOLP (2004).



Psoriátrica não é bom nome, já que iátrico é relativo a médico (iatrós, em grego) e figura como corruptela de psoriático.



L. Rey (Dic. de medicina..., 2003) registra artrite psoriásica e dá em inglês psoriatic arthritis, o que pode ter influência no uso de artrite psoriática em português.



H. Fortes & G. Pacheco (Dic médico, 1975) atestam artrite psoriática.



Psórico é relativo a psora (Galvão, 1909), sinônimo de psoríase.



O Houaiss (2001), o Aurélio (2004), o Aulete (1980) e outros bons léxicos dão apenas psoríaco como relativo a ou próprio da psoríase.



Do grego psórós,á,ón, áspero, rugoso, desigual, de psôra,as, sarna, prurido.



De nomes com o sufixo -íase, procedem adjetivos em -ático ou -ásico, como ancilostomiásico, elefantiásico, ftiriático ou ftiriásico, litiásico ou litiático, midriático, oxiuriásico, tripanossomiásico e outros registrados no VOLP (ob.cit.). De psoríase, procedem regularmente psoríaco e psoriásico.



Em Garnier (Dic. Andrei de termos de medicina, 2002), encontra-se reumatismo psoríaco. Outras possibilidades: psoríase artropática ou psoríase artrópica (Rey, ob. cit.).



Tendo em vista a forma psoríaco oficializada e dicionarizada como relativo a psoríase, mais vale admitir artrite psoríaca como preferencial.



A existência de muitos nomes para designar uma só doença possibilita liberdade de escolha e configura contribuição ao patrimônio do idioma. No entanto, é preciso considerar que a existência e o uso de muitos nomes referentes a uma só coisa podem causar ambigüidade, um vício de linguagem que não poderia existir em um relato científico formal publicado. Em relatos científicos, é imprescindível que haja interpretação única por todos os leitores ou ouvintes. Se houver mais de uma, pode-se incorrer em aplicação errônea do que se propõe e causar danos à vida e à saúde do paciente.  



Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Achar ou Encontrar? ==

Achar ou Encontrar?
Conquanto os dicionários averbem achar e encontrar como sinônimos na acepção de deparar algo propositalmente ou casualmente, pode-se questionar essa sinonimia. O Dicionário Larousse Cultural (1983) registra a equivalência de achar e encontrar procurando ou não. O Houaiss dá achar como encontrar por ter procurado ou por acaso. Dá encontrar como deparar com, dar de cara com.



O étimo latino incontrare, de in, sobre,movimento para dentro, e contra, em oposição a, dá sinonimia com topar, deparar, esbarrar (Houaiss, 2001), chocar-se com, dar de cara com, chocar, entrechocar-se (Aurélio, 2004), atitudes involuntárias. Assim, nota-se alguma diferença quando registram encontrar mais atinente ao que não se estava procurando. A. Sacconi acolhe essa divergência: acha-se algo procurado; encontra-se algo por acaso (Não confunda, 1990, p.13).  Desse modo, em lugar de “O autor não encontrou na literatura os dados procurados”, pode-se usar o verbo achar em lugar de encontrar ou equivalentes, como descobrir, obter, levantar, colher, conseguir, lograr, extrair e outros.



Achar e encontrar são termos sinônimos consagrados pelo uso. Contudo, a busca pelo aperfeiçoamento na escolha de termos com vistas à sua precisão no uso é atitude de cuidado.



Simônides Bacelar

Brasília, DF
Isto ou Aquilo? == Uroressonância ou Urorressonância? ==

Uroressonância ou Urorressonância?
Uroressonância. Neologismo com grafia defeituosa, decalque do inglês uroressonance, forma correta nessa língua. Pode-se escrever urorresonância, como já existe na literatura médica. O r entre vogais tem o som que se dá em caro (diferente de carro), em uro (diferente de urro), em mirado (diferente de mirrado). O VOLP (Academia, 2004) traz modelos ortográficos, como urorragia, urorrágico, urorréia, urorroseína, urorrubina.



Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Alopécia ou alopecia? ==

Alopécia ou alopecia?
Alopécia ou alopecia ou alopessia ou alopéssia?

Inexiste unanimidade a respeito da definição de alopecia, assim como de sua grafia e pronúncia. Alopecia (paroxítona) é a escrita que consta nos dicionários, na ortografia oficial (Voc. Ort. da Academia Bras de Letras, 2004) e em muitos relatos na literatura médica (Ped. Atual, v. 12, n. 11/12, nov./dez, 1999, p. 46; Dermatologia Atual, v. 4, n. 3, 1998, p. 7). É forma erudita, correta e tem respaldo etimológico. Do grego alopekía, de alopex, raposa, por este animal apresentar a doença temporariamente (R. Paciornik, Dic médico, 1975). Contudo, pode-se dizer alopécia por ser esta a pronunciação mais usada no meio médico, também registrada em prestadios dicionários.



Alopessia ou alopéssia são formas antigas desautorizadas pela ortografia atual.



Pode-se dizer atriquia, embora alguns autores usem o termo como ausência congênita de pêlos. Do grego a- ausência, e thriks, thrikhós, cabelo, pêlo, literalmente significa apenas ausência de pêlo. Atriquia deve nome ser resguardado para uso em relação a ausência de pêlo desde em apenas um folículo piloso até todos. Se houver pêlo em crescimento apenas dentro do folículo, o termo atriquia torna-se impróprio. Para certificação, é necessário fazer biopsia.



Em medicina, alopecia significa perda permanente ou provisória, total (universal) ou parcial de pêlos e ou cabelos. Assim, se diz alopecia de calos, alopecia de barba, alopecia de sobrancelhas, alopecia de pálpebras, alopecia congênita ou adquirida, regionais ou difusas. Há alopecia cicatricial (traumas, queimaduras, radiodermite, de origem infecciosa, idiopáticas, alopecia areata (região circunscrita no couro cabeludo).



Alguns dicionários atestam alopecia como sinônimo de calvície. Mas em geral alopecia é referida como doença, uso que pode ser adotado, tendo em vista ser essa sua mais ampla compreensão e ser o próprio nome decorrente de uma doença observada em raposas. Adjetivo: alopécico (não, alopético).




Em casos de confusão, como ocorre na presente questão, a gramática pode vir a ser útil para trazer esclarecimentos sobre como denominar um fenômeno de modo preciso, o que é atitude coerente com a rigorosidade e a seriedade científica.



Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Meu óculo ou Meus óculos? ==

Meu óculo ou Meus óculos?
Usar no plural, quando se referrir às armações com lentes usadas na frente dos olhos  (com uma só lente, denomina-se monóculo): meus óculos; seus óculos; prescrever lentes para os óculos, etc. Não é recomendável dizer em linguagem formal “meu óculos escuros”, "prescrever um óculos".



Também se pode referir a um par de óculos quando se prefere o singular. Óculo, no singular, significa instrumento que permite boa visão a longa distância, como óculo-de-alcance, luneta, longamira (Aurélio, 2004). O dicionário Aurélio dá que, no Brasil, pelo menos, diz-se, erroneamente, o óculos, este óculos, meu óculos.



“Com referência ao aparelho de correção visual ou de proteção contra aluz solar, deve-se usar a palavra no plural bem como o artigo ou o pronome que a ela se referem” (D. Cegalla, Dic. de dificuldades..., 1999).



“Palavra só usada no plural: os óculos, meus óculos, óculos novos, seus óculos” (L. A. Sacconi, Dic. de dúvidas..., 2005, p. 273).



Do latim oculus, olho, vista.



Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Tentacânula ou Tenta-cânula – sonda acanalada – sonda canelada ==

Tentacânula ou Tenta-cânula – sonda acanalada – sonda canelada
Forma preferencial: tenta-cânula, com está nos dicionários e no VOLP (Voc. ort., Acad. Bras. de Letras, 2004). Céu Coutinho (Dic. encicl. de med, s. data), terceira edição, dá a forma sem hifenização: tentacânula. Segundo o Aurélio (2004), procede de tentar + cânula. Do latim temptare, tocar, apalpar, ensaiar, experimentar, e cannula, diminutivo de canna, junco, planta cujo caule é cilíndrico, fino, flexível, freqüentemente oco (Magno, Dic. bras. da língua port., s.d.). De fato, tenta (derivado de tentar), espécie de estilete, é instrumento cirúrgico para sondar feridas, fendas ou dilatar aberturas (Aurélio, ob. cit.). Existe o verbo tentear, sondar com a tenta.



São dois substantivos (tanta + cânula) que se unem para formar um nome composto de significado único, o que justifica o termo hifenizado, como, por analogia, ocorre em hospital-dia, população-alvo, caso-controle, palavra-chave e outros exemplos. Acrescenta-se que os prefixos deverbais são por norma, ligados ao elemento seguinte por hífen: marca-passo, bate-pronto, pega-rapaz, tira-teima.



Tenta-cânula é nome questionável, visto como cânula é diminutivo de cano, espécie de tubo, um cilindro oco, e o que se apresenta no instrumento é uma calha canal, ou canaleta, cujo diminutivo é canalículo ou canalete.



Em francês, se diz sonde canneleé, que significa sonda acanalada, cuja tradução sonda canelada consta em dicionários na língua portuguesa. O nome mais apropriado, também muito usado em linguagem técnica, é sonda acanalada. Tenta acanalada poderia ser também um nome de boa expressão se existisse. Em inglês, hollow sound ou grooved sound. Em alemão, kannelierte Sonde.



Em inglês, também ocorre tent, tampão cilíndrico ou cônico, como material absorvente (algodão, gaze) usado para dilatar fendas, orifícios, ou para manter aberta uma ferida (Dorland, 1999; Stedman, 1996); do latim medieval tenta, de tentus, estirado, particípio de tendere, esticar (Chambers, Dic. of etimol., 2000), que deu tend, tenda, barraca feita de pano estirado. Apesar dessa analogia, os etimologistas não relacionam tenta, instrumento cirúrgico, também utilizado para dilatações com material absorvente, a tent, tampão, usado com a mesma finalidade.



Tentacânula é a forma extensamente usada na literatura médica, o que lhe dá plena legitimidade. Contudo, em comunicações formais, convém usar a forma oficial, tenta-cânula, em que se consideram os princípios gramaticais, de que se valem, como recursos de organização e padronização do idioma, os profissionais de letras.  No âmbito da comunicação prática, muitos detalhes de linguagem são, de fato, supérfluos. Mas um texto bem estruturado pode evitar questionamentos.


Simônides Bacelar
Isto ou Aquilo? == Assédio moral ou Assédio à moral? ==

Assédio moral ou Assédio à moral?
Assédio moral. Expressão mal empregada, por causar ambigüidade, no sentido de causar danos à moral de alguém com insistência importuna. Assédio significa cerco, insistência importuna junto a alguém o que está bem explícito na expressão assédio sexual. Melhora-se a expressão se for assédio à moral (de alguém).Assédio tem sentido de ataque, agressão. Assédio moral, em rigor, indica que o assédio é moral, o contrário do que se pretende. Do latim obsidium, de obsidere, sitiar, atacar (Aurélio, 2004). A mesma correção se aplica ao termo “coação moral”.



Simônides Bacelar
Isto ou Aquilo? == Angite, angiite ou angeíte? ==

Angite, angiite ou angeíte?
Angiite e angite são nomes usados na linguagem médica, registrados nos dicionários e constam oficialmente no VOLP (Voc. Ort. da Academia Bras. de Letras, 2004). Ocorre também angeíte, nome omitido no VOLP, mas presente em dicionárioos médicos em termos como angeíte alérgica, angeíte de hipersensibilidade de Zeek, angeíte familiar e outros. Tem provável influência do termo inglês angeitis.



Do grego aggeion, vaso, conduto, a forma regular como elemento de composição é angio-, como em angiotenite, angiotensina, angioneurose. No entanto, com elisão da vogal o, ocorrem angiose, angielefantíase, angiedema, angiectasia e outros casos. Assim, as grafias angiite e angite são legítimas. A forma angeíte é irregular, do ponto de vista normativo, pois desencontra-se das regras de formação de elementos de composição procedentes de termos gregos, já que o ditongo ei, em aggeion, passa regularmente para i por sua pronúncia.



O termo grego aggeion (pronuncia-se ânguion) refere-se a um vaso ou conduto. Em medicina, é usado em referência a condutos onde fluem líquidos corporais como sangue (hemangioma, hemangiectasia, hemangioblasto), bile (colangioenteroanastomose, colangite ou colangiite, colangiografia), linfa (linfangiografia, linfangioma ou linfoangioma, linfangite).



Angite é forma simples e mais prática com a qual se formam linfangite, colangite. Contudo, tendo em vista o maior número de uso, a grafia angiite configura-se como preferencial.



Simônides Bacelar
Isto ou Aquilo? == Croça (da aorta) ou Crossa? ==

Croça (da aorta) ou Crossa?
As duas escritas estão nos dicionários e, oficialmente, no VOLP (Voc. ort. Academia Bras. Letras, 2004), o que dá legitimidade às duas grafias. O termo procede do latim crocia, bastão episcopal (Fortes & Pacheco, Dic. méd., 1968) ou do frântico croce, este do germânico krokja ou krukkya bastão recurvado, daí crosse, em francês (Aurélio, 2004; Houaiss, 2001; Picoche, Dict etym du français, 1992), que originou crossa em português (Aurélio, 2004). No Aurélio, está assinalado ser croça a forma errônea e a mais usada.



No entanto, essa é a forma preferencial constante em dicionários portugueses, como o da Academia das Ciências de Lisboa (2001) e o Cândido Figueiredo (1996) entre outros. A Nomenclatura Anatômica na língua portuguesa (Nomina Anatomica), na edição de 2001, consta arco da aorta, tradução do latim arcus aortae, forma, portanto, recomendável no uso formal, termo usado atualmente em livros sobre anatomia humana.



Por analogia, pode-se também dizer arco da safena magna, embora crossa ou croça da safena sejam os termos comumente usados. O mesmo caso pode ser aplicado à ázigos, hemiázigos e similares.



Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Cadeirante ou deficiente físico? ==

Cadeirante ou deficiente físico?
Cadeirante



Neologismo ausente de bons dicionários como o Aulete (1980), o Houaiss (2004), o Aurélio (2004) e outros, inclusive médicos. Mas é termo atualmente muito usado na linguagem geral e médica em referência a pacientes confinados em cadeira de rodas:



                        Respeite a vaga reservada para cadeirantes nos estacionamentos.

                        Várias leis para os cadeirantes foram aprovadas.

                        Cuidado com a circulação para um cadeirante.



Contudo, alguns questionamentos podem ser avaliados quanto ao seu uso.



O sufixo -nte é regularmente usado nas adjetivações procedentes de verbos da primeira conjugação (gritar>gritante; falar>falante) e, assim, cadeirante infere que há o verbo cadeirar, no entanto, inexistente. Ocorre acadeira-se, que daria o adjetivo acadeirante, termo também inexistente no léxico.



Questão adicional é o posicionamento desprimoroso em que se designa uma pessoa pelo nome de sua condição física ou mórbida, que certamente a deprime. Assim como é desaconselhável referir-se às pessoas como o diabético, o cardíaco, o aidético, o aleijado.



Segundo declaração de uma pediatra que atende deficientes físicos em Brasília, "na Academia Americana de Paralisia Cerebral, se palavras como essa são usadas em resumos de trabalhos a serem inscritos para apresentação, o autor é excluído sem que nem mesmo o trabalho seja lido, em respeito aos pacientes com deficiência física. E foram os próprios pacientes que levaram o pedido de respeito aos profissonais".



Em vez de usar, por exemplo, a expressão “o cadeirante espera atendimento”, pode-se dizer, que o paciente na cadeira de rodas ou com deficiência física espera atendimento.



Simônides Bacelar
Isto ou Aquilo? == Doença respiratória ou do trato respiratório? ==

Doença respiratória ou do trato respiratório?
Doença respiratória. Construção coloquial. Melhor: doenças do trato respiratório ou do aparelho respiratório. Em rigor, respiratório significa relativo à respiração, definida como conjunto de fenômenos fisicoquímicos destinados a fazer penetrar o oxigênio no organismo e a eliminar o gás carbônico. Compreende a ventilação pulmonar, o transporte sanguíneo dos gases considerados e as trocas metabólicas celulares (Garnier, Dic Andrei de termos de medicina, 2002). Do latim re, que designa repetição, e spirare, soprar, exalar um sopro. Em uma primeira impressão, doença respiratória parece indicar doença da respiração, mas este é só um fenômeno funcional e as doenças são manifestações de alterações mórbidas do trato  do aparelho respiratório. Aliás, a doença é até anti-respiratória, já que embarga essa função orgânica.



Às vezes, o hábito do uso coloquial substitui o uso dos termos precisos, mas é  de interesse relembrar que a precisão é característica amplamente preconizada como qualidade científica.  



Simônides Bacelar
Isto ou Aquilo? == Abstêmio ou abstinente? ==

Abstêmio ou abstinente?
abstêmio. Do latim abstemius, que se abstém de beber vinho, de abs, afastamento e temetum, vinho (termo antigo). Originalmente, significava afastamento ao vinho, isto é, referia-se àqueles que evitavam o vinho ( F. Bueno, Questões de port., 1957, p. 22). Com o andar do tempo, passou a referir-se a bebidas alcoólicas e, por analogia, em relação a outros usos, como abstêmio sexual, abstêmio de leite e de ovos, abstêmio de drogas, abstêmio de paixões, de vícios, abstêmio de luxúrias, abstêmio de cigarros. Há também abstêmio no sentido de aversão, como em "abstêmio de gente", "abstêmio de estrangeirismo" ou de desânimo, como em "abstêmio de vida".



É comum a generalização do significado de termos em linguagem, sobretudo no uso popular e familiar. Mas, em situações em seja necessária linguagem mais precisa, pode-se escolher o termo abstinente em lugar de abstêmio em referência a alimentos, drogas, sexualidade e outros casos que não sejam bebidas acoólicas.



Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Efeito placebo ou Efeito-placebo? ==

Efeito placebo ou Efeito-placebo?
Melhor forma, a segunda. Também: efeito-nocebo, placebo-respondente e similares. Segundo o padrão gramatical normativo, quando duas palavras de sentido distintos se unem para formar um termo composto de sentido único, esseas palavras ficam ligadas por hífen. Parece lógico. Escrever efeito placebo, ao menos à primeira impressão, induz à crença que placebo é adjetivo e qualifica efeito, mas ambos são substantivos.


Simônides Bacelar
Isto ou Aquilo? == Cérebro-fácio-torácica ou cerebrofaciotorácica? ==

Cérebro-fácio-torácica ou cerebrofaciotorácica?
Síndrome cérebro-fácio-torácica.

Melhor forma: síndrome cerebrofaciotorácica.

As formas cérebro, facio e toraco são afixos. São componentes vocabulares eruditos. Com a terminação -ico(a), formam um adjetivo composto: cerebrofaciotorácico(a).

Facio não é outra coisa senão um elemento de composição, pois não existe palavra autônoma que se escreve como “facio”. Observa-se que esse elemento é de formação controversa, pois procede do latim facies e deveria ser faci-, como em facial, ou face-, como em facear e faceamento. Os elementos prefixais procedentes do latim, de regra, terminam em “i”, e se do grego, em “o”. Toraco também se enquadra no mesmo fenômeno.

Como elemento de composição, usa-se o afixo cerebro-, cujo acento subtônico permanece na sílaba “ce”, mas pode portar o acento acrítico em casos especiais como em cérebro-hipofisário, em que cérebro- é um elemento de composição, não um substantivo.

Por terem acentuado sentido de termo autônomo, com significação delimitada que impressiona a consciência de quem lê, escuta ou fala, muitos dos elementos de composição que indicam estrutura orgânica não são prefixos verdadeiros, como ensina Herculano de Carvalho (Teoria da linguagem, 1974, p. 554), mas elementos de composição que assumem o sentido global do vocábulo.

Cérebro é um substantivo e sabe-se o que significa. Mas no termo cerebrofaciotorácico, cerebro deixa de ser substantivo, não tem o sentido que tem como substantivo, e passa a constituir elemento de composição vocabular e tem função prefixal no caso e, com facio, toraco e a terminação -ico designativa de adjetivo, forma um termo composto, um adjetivo, de sentido único. “A palavra composta representa sempre uma idéia única e autônoma, muitas vezes dissociada das noções expressas pelos seus componentes” (C. Cunha & L. Cintra, Gram. do port. contemporâneo, 1998, p. 104). Como prefixo, cerebro passa de substantivo para função adjetiva restritiva ao substantivo a que o vocábulo, do qual é componente, se refere. deformação cerebrotorácica, conexão cerebrotorácica.  

A composição cérebro-fácio-torácica forma termo irregular por despadronização gramatical com mistura inadequada de substantivo, afixo e adjetivo, e é contrária às normas gramaticais e ortográficas oficiais, estas contidas por lei no Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras, em que esses elementos de composição estão registrados sem ligação com hífen. Isso torna seu uso problemático em relatos formais, principalmente os científicos, atitude que não poderia ser recomendável, pois os profissionais dessa área  são especialistas em linguagem, oficialmente reconhecidos e diplomados. A nossa formação médica não inclui essa área na grade curricular. Cabe aos médicos determinar a utilidade e a utilização de seus termos, mas o estabelecimento da forma vocabular está por profissionais dessa área. Desse modo, é recomendável o parecer do especialista formado em linguagem e gramática para que o médico possa criar a forma adequada de um vocábulo de sua área, assim como recorremos ao especialista em estatística para usarmos os cálculos adequados, ao nutricionista para a alimentação especial, ao psicólogo para a conduta apropriada em distúrbios de comportamento.

Se o autor desejar destaque especial para cada termo, neste caso em questão, poderia usar os termos  separados como adjetivos. Poderia escrever síndrome de envolvimento cerebral, facial e torácico, síndrome cerebral, facial e torácica ou até síndrome cerebral-facial-torácica.

Se escrevemos lesão gastroduodenocoledocopancreática, o  leitor poderá discernir bem o significado. É esse o uso normal em castelhano e em alemão por exemplo. Se for lesão gástrica, duodenal, coledociana e pancreática o destaque, sem dúvida,  ficará melhor e gramaticalmente também adequado. Se quiser dar destaque a um dos nomes poderia usar letras itálicas, sublinhar, usar negrito e outras formas. A múltipla interseção de um nome por meio de hifenização pode interferir com a unidade vocabular e formar uma seriação de termos ligados por hífen. A função dos afixos é formar um vocábulo composto, essencialmente formar uma só palavra. É o que está nas gramáticas. Em nenhuma delas pude encontrar um enunciado em que os afixos podem, por exemplo,  ser separados por hífen como forma de destaque de seus termos.

Entretanto, escrever formas hifenizadas não é considerado erro por bons lingüistas, pois se existem na língua, constituem riqueza do idioma. De fato, existem muitas formas hifenizadas no idioma e tomadas como padrão até oficial, tendo em vista, principalmente, a consagração do uso. É o que ocorre com greco-romano, ultra-som, neo-uretra, garrincha-do-mato-virgem.

Mas é preciso considerar que, quando se escreve um mesmo termo de formas diferentes, configura-se despadronização. Por outro lado, não é indicado adotar exceções em lugar das regras para formar uma palavra científica. Por exemplo, se todos escrevessem cárdio-vascular, seria esta a forma ortográfica de padrão, mas se houver cárdio vascular, cárdio-vascular e cardiovascular, a organização da ortografia ficaria questionada. De fato, como padrão, o leitor verá apenas cardiovascular (sem hífen) nos dicionários de referência maior, como o Houaiss, o VOLP, o Unesp, o Aurélio, o Michaelis, e lerá nas gramáticas que o afixo cardio é usado sem hifen. Essa é a regra. A orientação da Academia Brasileira de Letras é de suprimir os hífens e registra, por exemplo,  gastroentereanastomose. Registra também oftalmotorrinolaringologista, um nome que aglutina estruturas distintas, mas formam sentido único porque indica a denominação de um profissional.

Em conclusão, do ponto de vista lingüístico, em que se observa o idioma como um todo, com tudo que nele existe, sem formar regras, não está em erro escrever síndrome cérebro-fácio-torácica. Mas, do ponto de vista gramatical normativo, é formação controversa e esse termo poderá mais provavelmente ser um dia dicionarizado como cerebrofaciotorácico. Recomenda-se, assim, em relatos científicos formais, usar síndrome cerebrofaciotorácica como nome mais conforme à índole da gramática e da ortografia oficial.

Tendo em vista essas questões, diante de dúvidas e do acolhimento de formas que possam criar questionamentos, é recomendável voltar-se a consultores autorizados da ABL e de outros institutos de idioma de nível universitário.

Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Hebiatria ou Hebeatria? ==

Hebiatria ou Hebeatria?
A palavra HEBIATRIA grafa-se com I ou com E, uma vez que vem de Hebe, a deusa da juventude?
Aguardo suas considerações se possível.


A grafia correta é hebiatria.

Cordialmente,

Sergio Pachá
(Lexicógrafo-Chefe da A.B.L.)
Isto ou Aquilo? == Absenteísmo ou Absentismo? ==

Absenteísmo ou Absentismo?
Absenteísmo. Melhores propostas, absentismo ou ausentismo, nomes dicionarizados. A Lei do Uso consagrou absenteísmo, embora não haja em português absente e proceda da forma francesa absenteisme, o que forma galicismo (S.Bueno, Questões de port.,1957, p. 31).

O Houaiss  (2001) dá absenteísmo como forma não preferencial com remissão para absentismo. Absenteisme era hábito de certos nobres de viver longe de suas terras. Do inglês absenteeism, longa ausência ou permanente de um proprietário de suas terras, de absentee, ausente (Houaiss, ob. cit.). Por analogia passou a designar interrupção habitual de uma ação, ou hábito de ausentar-se aos  compromissos, falta habitual ao trabalho.

Em Direito, designa forma de arrendamento de terras em que o arrendador, por morar na cidade, está sempre ausente de suas propriedades e as cede por contrato comercial a exploração destas a um arrendatário. “Em Portugal, a expansão ultramarina ensejou largo emprego do absenteísmo, especialmente na Ilha da Madeira e, mesmo, no Brasil” (A. Acquaviva, Dic. jur. bras., 2004).

Embora a forma absenteísmo seja defeituosa, é a preponderante em português. No entanto, o uso de absentismo ou mesmo ausentismo pode ser feito com propriedade e bom discernimento. Do latim absent-, abscens, particípio de abesse, de ab, afastamento e esse, ser (The Oxford dic of english etimology, s.d.).

A exclusão sistemática de formas legítimas do idioma por indicar preciosismo, eruditismo ou pedantismo pode causar desaparecimentos por falta de uso, o que implica empobrecer as possibilidades da língua.

Simônides Bacelar
Isto ou Aquilo? == Anátomo-patológico ou Anatomopatológico? ==

Anátomo-patológico ou Anatomopatológico?
Formas recomendáveis: anatomopatológico, anatomopatologista, como está nos dicionários. Em lugar de “laudo de anátomo-patológico da peça cirúrgica”, pode-se dizer: laudo do exame anatomopatológico da peça cirúrgica



Não é indicado escrever anatomo patológico separadamente, visto como os prefixos não são palavras autônomas e sim elementos de composição.



Há dicionaristas que registram o vocábulo com hífen, mas o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa é deveras a expressão legal e oficial  da Academia Brasileira de Letras, instituição normativa da linguagem no País.



A interposição do hífen para separar os elementos constitutivos de um termo é considerada conduta de menor qualidade, apesar das exceções consagradas. Se um afixo faz parte de um termo com sentido único parece lógico que o termo seja único também na forma escrita sem que um de seus membros fique separado por hífen. Nesse vocabulário, o prefixo anatomo liga-se sem hífen ao segundo termo: anatomopatologia, anatomopatologista, anatomofisiologia, anatomofisiológico, anatomocirurgia, anatomocirúrgico, anatomoclínica, anatomoclínico, anatomofuncional, anatomozoológico. Por coerência, anatomoistológico, anatomoistopatológico, anatomopatologicamente, anatomofisiopatológico, anatomotopográfico.


Simônides Bacelar
Isto ou Aquilo? == Público alvo ou Público-alvo? ==

Público alvo ou Público-alvo?
A forma recomendável é público-alvo, como está nos dicionários e oficialmente no Vocabulário da Academia. O hífen, nesse caso é de bom uso, visto que é uma composição com dois substantivos, palavras autônomas na língua, não afixos.

Quando dois substantivos são unidos em uma composição para formar um sentido único, usa-se hífen. No caso, por exemplo, público-alvo refere-se a um determinado público.

O plural é apenas assinalado no primeiro nome: públicos-alvo, palavras-chave, abelhas-rainha, hospitais-ensino.

Simônides Bacelar
Isto ou Aquilo? == Colchicina ou colquicina? ==

Colchicina ou colquicina?
Colchicina é nome não preferencial da colquicina (Houaiss, 2001), mal aportuguesado, já que procede do nome científico da planta da qual o fármaco é extraído, Colchicum autumnale ou autumnalis, cuja pronúncia em latim é cólquicum. Em latim, o grupo ch tem pronúncia de k, e assim transmuda-se para qu em português quando precede e ou i, como em orchestra, escherichia e outros casos. A pronúncia regular é, assim, colkicina, não colxicina. Houve mau entendimento da pronúncia em português.



    Este alcalóide foi usado no tratamento da gota, doença inflamatória, cujo nome decorre da semelhança do bulbo dessa planta com uma gota.



    Do grego kolkhicós ou kolkhikón (kolχikon), cólquico, planta venenosa. (pronuncia-se colrricón). Em grego, a letra qui (χ) tem pronúncia semelhante à de rr (letra erre dobrada) ou do erre francês, ou do ch alemão (O. Carvalho, O que os médicos devem saber do idioma grego, 1968), representada por kh no termo em questão, mas passa ao português com a pronúncia de k. Antes de e e de i, em lugar de c ou ch, escreve-se qu, como em Arquimedes (os gregos dizem Arrmedis), arquipélago, química, teste do qui ao quadrado, arquiteto, arquétipo, arqueologia, esquizofrenia, psiquiatria.



    O Houaiss (2001) dá colchicina com remissão para colquicina, o que indica ser não preferencial o primeiro termo. O Aulete (1980), o Michalis (1998), o Mirador (1980), o Antenor Nascente (1988) e outros dão apenas colquicina. O VOLP (Academia, 2004) traz também apenas colquicina e todos os cognatos ali registrados com o prepositivo colqui(c)-, nenhum com colchic-, o que oficializa colquicina e silencia sobre colchicina. Cognatos oficialmente registrados: colquicácea, colquicinar, colquicínico, colquiplóide.



    Tendo em vista seu uso generalizado, colchicina torna-se termo legítimo na linguagem médica, mas importa mencionar que não é nome de primeira qualidade ortográfica ou fonética, como em colquicina.



     Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Pomada ou Ungüento? ==

Pomada ou Ungüento?
Pomar procede do latim pomarium, fruteiro (não macieira).



Pomada ou ungüento?



Há muito, o nome pomada  perdeu seu sentido próprio de ungüento preparado com maçã (pomo), que antigamente se usava para perfumar preparados oleosos ou gordurosos para passar no corpo  (Garzanti, I grandi dizionari etimologico, 2000).



Em latim havia unguenta pomata, ungüentos de maçã (R. Guérios, Dic de etimologias..., 1979); do italiano, pomata, daí para o francês pomade, que passou ao português como pomada, conforme consignam bons dicionários como o Houaiss e o Aurélio. Atualmente, há “pomada” de zinco, de enxofre, de vaselina, de antibióticos e outros elementos e de uso cosmético sem uso de maçã. Chernoviz (Dic medicina popular) consigna pomada como medicamento gorduroso perfumado com água de rosas. Sinônimos de pomada, como pasta, ungüento, unto, untura são menos ou pouco usados em medicina.



O termo ungüento, procede do latim unguentum, perfume líquido, óleo perfumado. Após o banho, antes de exercícios físicos, os romanos esfregavam óleo perfumado no corpo; de ungere, untar, perfumar, friccionar com perfume (A. Ferreira, Dic lat-port., 1996). Atualmente, ungüento é também usado como sinônimo de pomada de uso medicinal. Porém, quando medicamentos em forma de ungüentos  são usados por meio de bisnagas adquirem com mais intensidade o nome de pomada.



Desse modo, apesar da impropriedade etimológica da palavra, pomada é termo consagrado em medicina. Contudo, por falta de termo mais específico, em relatos científicos formais, sobretudo os escritos por serem mais cerimoniosos, pode-se, freqüentemente, usar ungüento. Em uso coloquial, pomada é nominação mais adequada, sobretudo para produtos veiculados em bisnagas.


Simônides Bacelar
Isto ou Aquilo? == Capucho peniano ou hemiprepúcio? ==

Capucho peniano ou hemiprepúcio?
Usa-se, às vezes, na linguagem médica capucho em lugar de prepúcio clitoridiano ou peniano, sobretudo, em casos de hipospádia quando o prepúcio se apresenta apenas como cobertura cutânea da glande na porção dorsal do pênis. Embora pouco usado nesse sentido, capucho configura metáfora, talvez nome inadequado como termo médico e científico.



Significa parte de uma capa ou capote que cobre a cabeça, geralmente presa à vestimenta, o mesmo que capuz, como está nos dicionários.



Do baixo latim capucium ou caputium, de cappa, capa provida de capuz (J. Corominas & J. Pascual, Dic. crítico etimológico..., 2000) de caput, cabeça. Passou para o italiano como cappuccio e deste ao português como capucho (Houaiss, 2001). Em inglês, há hemiforeskin, de ocorrência rara. Na literatura médica em castelhano, há hemiprepucio, também de ocorrência rara, porém parece nominação mais adequada (hemiprepúcio em português), embora não seja exatamente metade de um prepúcio.



Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Shunt ou Shuntagem? ==

Shunt ou Shuntagem?


shunt – shuntagem. Anglicismos. Podem, amiúde, ser substituídos por anastomose, comunicação, desvio, derivação (Stedman, 1996), ligação, fístula, conexão, comunicação. Ex.: derivação atriovenosa, derivação esplenorrenal, derivação ventriculocisternal, anastomose portacava, ligação ou fístula arteriovenosa, comunicação arteriovenosa, derivação cavernosoesponjosa transbalânica.


A invenção e o uso do verbo “shuntar” constatado num artigo médico e do termo "shuntagem" constitui um dos mais eloqüentes exemplos de servilismo literário e de pobreza de sentimento de brasilidade no âmbito médico literário: em português não há sh com som de ch.


Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Alternativas ou Opções? ==

Alternativas ou Opções?
Em rigor, alternativa significa opção entre duas coisas apenas. Embora aceitas por bons lingüistas, muitos autores de nota, inclusive médicos, questionam expressões do tipo:



"Há várias alternativas.".

"Procurar outras alternativas.".

"Testes de cinco alternativas.".



Só há uma alternativa. Alternar significa mudar entre duas opções. Em latim, alter significa o outro, como em alter ego (o outro eu), por exemplo.



Em razão da imperiosa Lei do Uso, o termo alternativas tem sido usado como sinônimo de opções e assim está registrado na última edição do Aurélio (2004).



Apesar de não ser erro, configura desvio semântico desnecessário. Em lugar de alternativas, pode-se dizer, em dependência do contexto, opções, escolhas,  recursos, possibilidades, saídas, maneiras, meios, expedientes, formas, modos, artifícios, métodos, optações, condutas, diversificações, indicações, predileções, preferências, procedimentos, variações, variáveis, variantes e similares.



A linguagem é livre, pois o essencial é a comunicação. Certo e errado são conceitos rejeitados por bons lingüistas, e o que consta são faixas ou variedades de linguagem – popular e culta. Em linguagem científica, convém adotar o padrão culto gramatical normativo por sua disciplina, por sua estrutura, organizada por estudiosos profissionais ao longo de séculos.



Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == O VHS ou a VHS? ==

O VHS ou a VHS?
É falta reparável dizer:



            “O VHS está baixo”,

            “O VHS veio diminuído”,

            “Paciente com VHS alterado”.



    VHS é o mesmo que velocidade de hemossedimentação, dois substantivos do gênero feminino. Daí, dizer-se adequadamente:



           A VHS está baixa.

            A VHS não foi solicitada.

            Doente com VHS inalterada e usos similares.



    Útil acrescentar que não se pode “colher o VHS”, mas colhe-se o sangue para avaliar a VHS.



    A sigla é também defeituosa. De acordo com as normas de formação de siglas, deveria ser VH, já que hemossedimentação é nome único, não dois como sugere a sigla.



    O gênero masculino, comumente usado nesse caso, tem influência do gênero masculino que se confere ao nome das letras do alfabeto – nesse exemplo, o vê, o agá e o o esse –, o que configura silepse de gênero.



    Pode-se interpretar "o VHS" como o exame da velocidade de hemossedimentação, mas, nesse caso, o que se diz dele é incoerente, isto é, o exame do VHS está inalterado, elevado, anormal, já que não se refere ao exame em si, mas à velocidade que está inalterada, elevada, anormal.



    "O VHS" é forma comumente usada na linguagem médica, o que lhe dá legitimidade de uso. Contudo, é de melhor senso, por exatidão científica, considerar o significado ao qual a expressão de fato se refere.  



    Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == circunferência da cintura ou Perímetro da cintura? ==

circunferência da cintura ou Perímetro da cintura?
Melhor expressão: perímetro da cintura, assim como se diz perímetro cefálico, torácico, braquial.



Ambos são termos usáveis e existentes na linguagem médica. mas, em rigor geométrico, visto que se trata de uma medida, circunferência adapta-se melhor a referências da esfera ou de um círculo, já que, por definição no âmbito da geometria, significa linha fechada e traçada com distância constante desde um ponto central, ou lugar geométrico dos pontos de um plano eqüidistante de um ponto fixo, como atestam os dicionários.

Do latim circunferentia, círculo, de circum, em volta, e ferre, levar. Por sua etimologia, justifica-se circunferência como trajeto ou linha em volta, com pontos equidistantes ou não de um ponto central. Circumferre significa mover-se em volta.

Perímetro é o comprimento da linha que delimita contornos de uma superfície, ou linha de contorno de uma figura geométrica. Do grego perimetros, composição de peri, em volta, e metros, medida.

Assim, perímetro, como de medida da cintura, afigura-se como termo mais adequado.

Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Três vezes ao dia ou três vezes por dia? ==

Três vezes ao dia ou três vezes por dia?
Melhor opção: três vezes por dia. São usuais prescrições médicas com expressões dos teores:



           “uma injeção IM 3 vezes ao dia”,

            “2 colheres ao dia”,

            “10 gotas duas vezes ao dia”.


O Prof. Aires da Matta Machado Filho (Coleção escrever certo, 1966, v. 3, 72) dá um estudo cuidadoso sobre o assunto em que transparece a impropriedade da expressão ao dia em lugar da locução vernácula por dia. Acrescenta que esta última é a encontrada em obras de eminentes autores médicos como Miguel Couto, Pedro Pinto e Vieira Romero, e de proeminentes veterinários. Relata que gramáticos e dicionaristas, cujas obras pesquisara, guardam silêncio quanto ao emprego da preposição a no sentido distributivo e menciona advertência de Epifânio Dias (Sintaxe História Portuguesa, 2a ed., p. 156): “Por” emprega-se designando a unidade em combinações como: dar lição duas vezes por semana; caminhar tantas léguas por dia; pagar tanto por cabeça”.

Compara ao dia com a expressão viciosa “morar à rua” em vez de morar na rua tal. Refere que não se diz “uma injeção à semana” e que ao dia está pela analogia com às refeições, ao deitar, ao levantar e semelhantes. Sugere, assim, que essa expressão é de uso exclusivamente profissional, não pertence à índole de nossa língua.

De fato, é mais comum dizermos prestações por mês, rotações por minuto, quilômetros por hora, exercícios três vezes por semana,  viajar duas vezes por ano.

Também usuais, mas contestáveis, prescrições de receitas com uso de VO 3xd, IM 6/6h. Nem sempre estão claras para o doente.

Escrever por cada dia, incorre-se em cacofonia (porcada).

Simônides Bacelar

Isto ou Aquilo? == Sedestação ou sedestração? ==

Sedestação ou sedestração?
Sedestação – sedestração



Nomes ausentes de dicionários de referência como o Aurélio, o Houaiss, o Aulete e outros inclusive médicos. Indicam o estado de estar sentado. Ambos coexistem na linguagem médica. Sedestação é muito mais usado, como se vê nas páginas de busca da internet:



        Paciente em sedestação, flexiona a coxa.



        Escala de avaliação das atividades funcionais estáticas (sedestação, quadrupedia,

        genuflexão, semi-ajoelhado e bipedestação).



        Transferência de decúbito dorsal para o lateral e ventral e de decúbito dorsal para

        sedestação.



Também existem bipedestação e bipedestração, ou seja, estar de pé apoiado nos dois pés. Bipedestação é muito mais usado que bipedestração e mais bem formado e expressivo (v. adiante).



Sedestração procede de sedestre, adjetivo dicionarizado, do latim sedere, sentar, de sede, assento, e -estre, sufixo formador de adjetivos cultos, do latim -ester ou -estris,is,e (em português, -estre), aparece em termos como alpestre, ancestre, campestre, eqüestre, pedestre, rupestre, sedestre, silvestre, terrestre (Houaiss, 2001).  A partícula -ção, no caso, indica estado, condição.



Sedestação provém do mesmo étimo latino sedere, assentar, mas tem a vantagem de contar com o elemento -estação, que procede do latim  statìo, stationis,  estado de repouso, paragem, em lugar de estre, elemento apenas indicativo de adjetivação, inexpressivo neste caso. Assim, sedestação é o termo mais bem formado, que exprime estado de estar sentado e em repouso nessa posição.



Simônides Bacelar
Isto ou Aquilo? == Cifrão ou Sifrão? ==

Cifrão ou Sifrão?
Correto: cifrão, símbolo monetário em diversos países. Sifrão, com s, é descuido gráfico. Atualmente, se escreve com um só traço de alto a baixo: $ (Aurélio, 2004; A. Niskier, Na ponta da língua, 2001, p. 88; L. Sacconi, Dic. de dúvidas..., 2005), não dois traços superpostos.



Em épocas recuadas, o cifrão era escrito com dois traços sobre o S. Também, nos números, separava dos milhares, a casa das centenas: 123$456. Atualmente, são encontráveis formas com dois traços paralelos aqui e com traços interrompidos ali, também ora com traço completo ora interrompido. Não há normas que estabeleçam a melhor forma.



Entretanto, orienta Silveira Bueno (Questões de Português, v. I, 1957, p. 126) que a origem do símbolo pode estabelecer uma escolha. Quando os árabes invadiram a Espanha , no século VII, atravessaram o estreito de Gibraltar, Colunas de Hércules na época. Cunharam uma moeda de alto valor com o desenho de duas linhas verticais em uma das faces, que simbolizavam as colunas, cortadas por um linha sinuosa, que simbolizava as águas do mar. O desenho passou depois a ser símbolo monetário. Conclui Bueno com a proposição que usar um traço é reduzir as colunas a uma só, que é “errada a maneira que se quer pôr em prática”, que contraria a história do símbolo.  



Simônides Bacelar

Hífen
Hífen
 
 junta-se com hífen
 
 junta-se sem hífen
Prefixos Letra inicial do segundo termo Exemplos
Vogal igual à final do prefixo vogal h r s b m n outros
aero, agro, alvi, ante,
anti, arqui, auto,
contra, des1, eletro,
entre, extra, foto, geo,
hidro, in1, infra, intra,
macro, maxi, mega, micro,
mini, moto, multi,
nano, neo, pluri, poli,
proto, pseudo, retro,
semi, sobre, socio,
supra, tele, tri, ultra,
vaso, video
                  anti-inflamatório, antissocial, arqui-inimigo, autoestima, autorretrato,
autossuficiente, contrarregra, contra-ataque, extrasseco, infraestrutura,
infravermelho, maxidesvalorização, mega-amiga, micro-organismo,
microssistema, mini-instrumento, minissaia, motosserra, multirracial,
neoneonatal, proto-história, pseudociência, semiárido, semi-integral,
semirrígido, sobre-erguer, sobre-humano, sobressaia, socioeconômico,
suprassumo, tele-homenagem, ultra-apressado, ultrainterino,
ultrassom, vasodilatador.
circum, pan                   circum-ambiente, circum-navegar, panceleste
ciber, hiper, inter, super                   cibercafé, ciberespaço, interdisciplinar, super-homem, superamigo
sob, sub                   subalugar, sub-reitor, sub-humano
mal2                   malsucedido, mal-estar, mal-humorado, malnascido
co, re                   coautor, cooperar, corresponsável, reavaliar, reescrever
além, aquém, bem2,ex, pós3, pré3, pró3, recém, sem, vice                   além-mar, bem-educado, pré-natal, pró-reitor, recém-nascido,
sem-terra, vice-campeão
 1 não se usa hífen quando o segundo termo perdeu o h original: desumano, inábil
 2 usa-se o hífen quando formar com a outra palavra um adjetivo ou substantivo
 3 quando a pronúncia for fechada (pos, pre, pro), liga-se sem hífen ao outro termo: preencher, posposto (exceções: preaquecer, predeterminar, preestabelecer, preexistir)
Atenção: Quando a pronúncia exigir, dobram-se o "r" e o "s" do segundo termo.
Fonte: http://www.abril.com.br

Idades em décadas

Denário
Vicenário
Tricenário
Quadragenário
Quinquagenário
Sexagenário
Septuagenário
Octagenário
Nonagenário
Centigenário
Não erre


Não erre == Envolver ==

Envolver
Pode indicar impropriedade em frases como:

        "A lesão envolve o pâncreas e o duodeno.".

        "Metástase envolvendo ossos.".

        "O seqüestro envolveu a cabeça do fêmur".

Em rigor, envolver significa rodear, cercar, abranger em volta.

É freqüente no âmbito médico a expressão “metástase envolvendo fígado” (ou outro órgão).

Mas uma metástase não poderia, de fato, envolver um fígado.

Na verdade, dá-se o contrário.

Pode-se dizer com exatidão: a metástase invadiu (ou comprometeu) o fígado.

Outros exemplos:

        A lesão atingiu pâncreas e o duodeno.

        O seqüestro acomete a cabeça do fêmur.

        O tumor afetou o rim direito.

        O trauma comprometeu a uretra e o púbis.

        O hematoma invadiu o retroperitônio

Mas pode-se dizer acertadamente:

        O abscesso envolve o apêndice.

        O tumor envolvia a artéria.

        A periostite envolve o terço distal da tíbia.

Simônides Bacelar
Não erre == Ambu ==

Ambu
Mais formalmente adequado é dizer reanimador manual ou ventilador manual, que consiste num balão de borracha  e máscara com dispositivo valvular. Ambu é marca registrada (Dic. méd. enciclop. Taber, 2000) de produtos médico-hospitalares. Pode ser escrita, portanto, com maiúsculas ou inicial maiúscula (AMBUâ ou Ambu). Pode ser sigla de airway mantainance breathig unit, como afirmam alguns autores.

Da empresa dinamarquesa Ambu International A/S, fundada pelo engenheiro alemão Holger Hesse em Copenhague. O reanimador manual foi inventado pelo anestesista dinamaquês Henning Ruben, sócio de Hesse, em 1953. Em 1956, o primeiro reanimador manual auto-inflável, não-elétrico foi produzido pela companhia, que ainda o produz em muitas variedades de formas e tamanhos.

Ambusar tem sido usado na linguagem oral: Paciente foi ambusado até chegar à UTI. É errônea a grafia ambú, já que só se acentua a letra u final tônica quando precedida de vogal e não formam ditongo: jaú, teiú, Ipiaú.

É discutível a expressão ressuscitador manual, uma vez que, em rigor, parada cardiorrespiratória não indica morte, e ressuscitar significa trazer um ser da morte à vida, voltar à vida. Reanimador manual é nominação mais adequada. Em inglês: bag-valve-mask ventilation (BVM). Se Ambu designa todo o aparelho de ventilação, deve-se evitar dizer “ambu com máscara”.

Simônides Bacelar
Não erre == Conotação e Denotação ==

Conotação e Denotação
conotação. Termo freqüente na linguagem médica. Não deve ser usado como sentido ou significado de um termo ou expressão. Significa essencialmente conexão ou dependência entre duas ou mais coisas comparadas entre si. Em Gramática, significa sentido ou sentidos secundários de palavras ou expressões. Ex. Bizarro significa esbelto, elegante, mas tem conotação pejorativa de exótico, extravagante. Esquisito tem conotação de distinto, raro, mas sua conotação como  excêntrico ou estranho é comum.



Em Filosofia é compreensão ou conceito de algo (Dic. Michaelis, 1998). A conotação, por ser uma linguagem figurada,  acarreta mais dificuldade de compreensão do que a denotação. Contudo, como muitos nomes são mais conhecidos em sentido conotativo, as conotações tornam-se fatos da língua, o que lhes dá legitimidade de uso por sua força de comunicação.



Por esses motivos, são inadequadas as condutas anticonotativistas. Não parece devido conceber como falso o sentido conotativo e como correto o denotativo, já que a linguagem tem formação convencional e seu uso visa à comunicação. Haveria incompreensão no dizer “conduta bizarra e esquisita” em lugar de conduta elegante e distinta. A conotação, em casos como esses, tem mais valor comunicativo que a denotação. No entanto, freqüentemente constitui melhor qualidade em disciplina e organização usar os termos em seu sentido denotativo, sobretudo em linguagem científica formal.

Simônides Bacelar
Não erre == Eco ==

Eco
Vício de linguagem que consta de palavras juntas ou próximas com a mesma terminação. É a rima em prosa. É a repetição sonora no fim de palavras próximas. Na prosa não-literária, o eco haverá de ser evitado. Dá aspecto de texto mal cuidado. Exs.: No momento, meu sentimento é de sofrimento (E. Faraco & M. Moura, Gramática, fonética e fonologia, morfologia, sintaxe, estilística, 1992, p. 438). As palavras não precisam estar juntas. Em seus exemplos, Faraco dá mostras disso. Exemplos encontrados em relatos médicos:



acesso látero-basal temporal total;

analisados os dados cruzados;

canal anal normal;

coleta de dieta;

coletados e analisados os dados;

biópsia óssea,

dados coletados;

condições sanitárias precárias;

importante determinante;

lesões freqüentes nos pacientes decorrentes de acidentes;

auto-suficiência de assistência pode ser referência regional,

no momento do nascimento,

a observação e a interpretação da distribuição dos fenômenos;

drenar para local anormal, lateral ou caudal;

funcionários usuários dos prontuários;

aspecto renal contra-lateral normal;

reservatório satisfatório,

respostas opostas,

monitoramento do crescimento e desenvolvimento,

consulta especializada foi realizada;

o tratamento indicado e realizado foi baseado... ;

alteração disfuncional hormonal focal,

amostras congeladas selecionadas;

ecografia para avaliação de loculação com coleção de secreção.



O eco pode ser figura de linguagem se bem empregado: Desgraçadamente, lamentavelmente, quotidianamente, vem sendo nossa língua adulterada por alguns cronistas sociais, venais, boçais, fenomenais (Z. Jota, Glossário de dificuldades sintáticas, 1967).



Uma vez que não há sinônimos perfeitos, se a mudança de termos prejudicar o sentido do enunciado, justifica-se manter o eco. Mas freqüentemente a troca é possível.



Existem bons dicionários de sinônimos, que podem ser úteis para evitar esses defeitos de linguagem.



Osmar Barbosa, Grande dicionário de sinônimos e antônimos, Rio de Janeiro, Ediouro.
Agenor Costa, Dic. de sinônimos e locuções da língua portuguesa (dois vols.), Biblioteca Luso-Brasileira.
Francisco Fernandes, Dic de sinôniomos e antônimos da língua portuguesa, São Paulo, Globo.
Dicionário Houaiss de sinônimos e antônimos, Objetiva.
Dicionário de sinônimos e contextos da língua portuguesa, formato eletrônico, América Online.
Aristos sinónimos, antónimos, parônimos. Barcelona, Sopena.
Não erre == Em compensação ==

Em compensação
Tal expressão tem sentido de positividade, de ser para melhor (Silveira Bueno, Questões de Português, 1957). Não deve ser usada no sentido de contrário, como nas frases:

        “Em compensação ficou doente”
        “Em compensação os resultados foram piores”
        “Não sente dor, mas a coceira,em compensação,não tem dia nem hora para atacar”.

Nesses casos, pode-se dizer

        em contrapartida,
        em contraparte,
        em contraposição,
        em oposição.

Simônides Bacelar
Não erre == Eutanasiar ==

Eutanasiar
Inexiste em dicionários de referência como o Houaiss, o Aurélio, o Michaelis, o Unesp, o da Academia das Ciências de Lisboa, o Aulete e outros. Inexiste no Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras, que guarda o vocabulário oficial usado no Brasil.



No entanto, é um verbo presente na literatura médica portuguesa em textos formais e informais. Nesse caso, do ponto de vista lingüístico, o verbo eutanasiar existe na língua portuguesa e pode ser dicionarizado em futuras edições de bons dicionários. É um termo de boa e regular formação, do substantivo eutanásia com a desinência verbal -ar.



É uma prática atualmente bem fortalecida por quase todos os lingüistas em todo o mundo o acolhimento de termos formados e usados pelo povo em todos os níveis de linguagem. Todas as formas existentes constituem patrimônio (riqueza) de um idioma, dizem bons profissionais de letras. Muitos consideram os dicionários como utilíssimos e respeitáveis repositórios de vocábulos com suas acepções, cujo principal mister é o esclarecimento de significados, além da ortografia e de outros dados gramaticais, mas não contêm todos os usos de um idioma, considerando-se a evolução da linguagem.



Se for exigência oficial ou institucional usar eutanasiar, aceder pode ser boa atitude, pois, poderão os membros da comissão contar com o apoio de excelentes lingüistas das melhores universidades, justamente com os argumentos que acima descritos.



No entanto, sempre que for possível, é de bom senso evitar neologismos desnecessários como eutanasiar. Em lugar de “o animal foi eutanasiado”, pode-se dizer, foi morto ou foi sacrificado ou ainda foi submetido a eutanásia ou construções equivalentes feitas com termos vernáculos consagrados pelo uso há longo tempo.  



Simônides Bacelar

Não erre == Fazer úlcera ==

Fazer úlcera
São muito comuns em medicina expressões dos tipos:



        “Paciente fez febre de 39ºC",

        “Se o paciente fizer febre”,

        "Ele fez cálculos"

        "A paciente fez uma hemorragia",

        "O lactente fez uma anemia",



    ou formulações dirigidas ao paciente como:



        “A senhora fez febre?”  

        "A criança está fazendo febre?"

        "Você fez um tumor na bexiga"

        "O senhor está fazendo uma úlcera"

        "A senhora está fazendo uns cálculos nos rins".



    Fazer febre é expressão existente na linguagem médica, é fato da língua, não é, por isso, incorreta. Mas, em em comunicações formais, recomenda-se usar a opção ter febre.



    Modernamente, os lingüistas rejeitam as posições do certo e do errado, do correto e do incorreto. Todas as formas existentes constituem patrimônio da língua. Existem faixas ou modalidades de linguagem desde a chula (muito usada na hora do descontrole emocional) até o modelo mais disciplinado – o padrão culto normativo, nível mais adequado para a linguagem científica.



       Desse modo, dizer que o paciente "faz febre" ou qualquer sinal ou sintoma é modo coloquial de expressão, de cunho popular, em que se usa o verbo fazer como espécie de curinga em lugar do verbo mais adequado, mais expressivo como ter, apresentar, estar com. Há outros casos similares:  



        fazer medicina (estudar, cursar),

        fazer morte  (causar, provocar, ocasionar),

        fazer feridos (ter, ocasionar),

        fazer a unha, (cortar, pintar, aparar as unhas)

        fazer o cabelo (cortar, aparar os cabelos).



    Dizer que o paciente teve febre ou apresentou febre ou qualquer outra manifestação de doença é a maneira recomendável para usar na linguagem formal em medicina, nas comunicações cerimoniosas ou protocolares, como em documentos (incluso o prontuário), aulas, palestras, discursos em congressos, relatos científicos para publicação.



    Além disso, vale acrescentar que o paciente pode achar estranho a forma de expressão usada pelo seu médico, que sugere estar ele próprio fazendo algo contra si mesmo, a fazer em si próprio algo maléfico ou que causaria a própria morte. É complicado afirmar que o paciente fez o que simplesmente nasce, aparece, se desenvolve, muitas vezes sem culpa do doente.



Simônides Bacelar

Não erre == Subespecialidade ==

Subespecialidade
Recomendáveis: superespecialidade ou supra-especialidade nomes existentes na literatura médica. Pode-se também dizer hiperespecialidade. Para indicar especialidade dentro de uma especialidade médica, subespecialidade é nome desprimoroso.

Se determinada área ou grupo de doenças são mais estudados, se há mais dedicação ou até dedicação exclusiva, tal atividade é uma superdedicação e há superespecialização ou supraespecialidade; o profissional torna-se superespecializado, não subespecializado. Subespecialidade indica, estranhamente, que o profissional a ela dedicada é subespecialista, subespecializado numa subespecialização, nomes ambíguos que mais aparentam indicar que o profissional é de categoria inferior e dedicado a uma especialização insuficiente.

Subespecialidade parece indicar que a especialidade está abaixo quando, na realidade, está acima, não é inferior. É questionável que um especialista se denomine subespecialista ou subespecializado. Melhor ser supra-especializado ou superespecializado e mesmo hiperespecializado.

O nome subespecialidade está consagrado na linguagem médica pelo seu amplo uso, mas o prefixo sub indica um paradoxo ou, ao menos, uma ambigüidade. Convém observar que ambigüidade é defeito de linguagem, evento impróprio à linguagem científica por sua seriedade.

É cacografia escrever sub-especialidade. É, de fato, mesmo irônico enunciar supra-especialista ou superespecialista em uma subespecialidade. Mais estranho dizer subespecialista em uma subespecialidade. Em análise rigorosa, trata-se de especialidade, mesmo que seja um ramo de determinada especialidade. A endoscopia digestiva, por exemplo, é ramo da gastroenterologia, mas se o profissional a ela dedicado é um especialista no assunto, nesse caso ele atua em uma especialidade, assim como cirurgia pediátrica não seria subespecialidade da pediatria, nem a pediatria uma subespecialidade da clínica geral.

Simônides Bacelar
Não erre == Em vias de ==

Em vias de
Em vias de – paciente em vias de ser operado. A expressão correta é em via de (Cegalla, 1996; Martins, 1997). É locução que funciona como preposição e, por isso, não deve flexionar. Via é caminho, dispensa o plural. “Não existe em vias de. Ex.: A obra esta em via de ser concluída. O projeto está em via de se aprovado. O animal está em via de extinção.” (Cipro Neto, P. Ao pé da letra, O Globo, 29.11.98, p.28).



Simônides Bacelar

Editoração


Editoração == Números ordinais ==

Números ordinais
A forma recomendável é escrever um algarismo arábico seguido de ponto (sinal de abreviatura) e as letras “o” ou “a” sobrescritas (desinências de gênero: primeiro, primeira, décimo, décima), como nos exemplos: 1.o, 2.a, 5.o, 20.o, 500.a, 230.o.



Essa é a forma que consta nos livros de gramática de melhor referência (Celso Cunha e Lindley Cintra, Napoleão Mendes de Almeida, Domingos Cegalla, Evanildo Bechara e outros) e no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa,  elaborado por indicação de lei federal ( lei n.o 5.765, de 18 de dezembro de 1971) pela Academia Brasileira de Letras, o que oficializa a norma descrita.



A forma sem ponto caracteriza a menção de graus (2º, 100º, 1500º) e omite o ponto, sinal normalizado de abreviação. A forma com pequeno traço sob a desinência de gênero (1o, 5a ) também existe na linguagem, mas deixa omisso o ponto abreviativo, o que também torna incompleta e não preferencial essa forma.



Simônides Bacelar

Editoração == Referências sobrescritas ==

Referências sobrescritas
Números remissivos sobrescritos que indicam as referências bibliográficas

        no texto podem vir antes ou depois da pontuação:



...uso do fórceps, etc.3.

...do istmo uterino2, 4.  

...sistematizada por Hakme10, 11, passando então...

(Revista Brasileira de Cirurgia, v. 77, n. 1, jan/fev. 1987)



Ou:

..deste órgão.3

(Acta Oncológica Brasileira, v.11, n.1/2/3, jan/dez. 1991)



...along the posterior axillary line.26-28

(Seminars in Pediatric Surgery 1999;8(2):57



É recomendável usar o ponto ou outro sinal de pontuação logo após

o fim do período, em seguida, os números sobrescritos, porquanto

estes não têm função sintática, não pertencem à frase, agem

como corpos estranhos a esta. O mesmo se aplica a outras pontuações

(vírgula, dois-pontos, ponto-e-vírgula):



    ...do lado da hérnia.4, 8 A conduta principal...

    ...institutos;23 organizações...

    ...números,34 algarismos...



Este sistema foi adotado por Artur de Almeida Torres em sua

Moderna Gramática Expositiva da Língua Portuguesa (1970),

em que cita na página 256: “...revigorado pelo Congresso

Nacional em 1955.8”. Mais adiante: “...adotar o sistema

gráfico de 1945,9...”. É o utilizado em numerosos periódicos

de língua inglesa. Tal uso evita situações ambíguas como:



    “...ocorreu em 19872,” (toma-se pelo quadrado de 1987)

    “...a leucocitose atingiu 24.300/ mm3 3”



A separação dos números sobrescritos em geral é feita por vírgulas.

Às vezes, usa-se hífen para abreviar citação de uma série progressiva de referências:



    “grupo de parturientes 2,8-10” (8-10 indicam as referências 8, 9 e 10).



A pontuação é elemento íntimo e inseparável da expressão escrita.

Para fins didáticos, os seguintes exageros podem demonstrar

a impropriedade do sistema de sobrescritos antes das pontuações;

haveria estranhamento se escrevêssemos:



    “Vários autores abordam a seguinte questão: Qual a fórmula a adotar 2, 4-5, 13 ?”



Ou, em uma citação parcial:



“Alguns autores concordam com SILVA21 quando menciona que

“...o sinal de ptose palpebral pode refletir invasão do seio

cavernoso14,18,23,31,35,38” (tecnicamente, o referido autor (Silva)

citou os números sobrescritos, uma vez que estão entre aspas).  



Desse modo, tecnicamente, o uso de números referenciais sobrescritos

após a pontuação pode indicar escrita mais cuidadosa e mais elegante.



Simônides Bacelar

Editoração == Marca registrada ==

Marca registrada
®. – Símbolo de marca registrada, indica propriedade particular e seu uso sem notificação é, no mínimo irregular, e pode contrariar direitos autorais e configurar uso indevido de produto alheio. Em trabalhos científicos, é inadequado usar indiscriminadamente nomes e produtos com marca registrada, pois o proprietário da marca e do produto poderia não gostar do que foi referido a respeito de seu produto e acionar o autor por injúria e outras imputações.



Nas publicações de relatos científicos é usual escrever o símbolo ® depois do nome de marca ou o símbolo ©, de copyright, quando o produto ou a marca estiver sujeita a direitos autorais. É questão de direito. Se for marca registrada, escreve-se com inicial maiúscula.



O princípio ativo não poderia ter o símbolo se não for marca registrada. As leis e as normas de direitos autorais variam em seus detalhes entre os países, de modo que, por segurança, convém indicar no texto que se trata de marca registrada. Não seria questão primariamente de obrigação, mas de juízo. No exterior, microorganismos e seres vivos geneticamente modificados podem ser patenteados, o que não ocorre no Brasil.



A lei brasileira de direitos autorais, Lei n. 9.610, não trata de nomes ou títulos isolados (art. 8.o, inciso VI), mas, em casos específicos, melhor consultar a assessoria jurídica da instituição em que foi feito o trabalho.



Se o trabalho envolver uso de nomes ou produtos patenteados para fins comerciais, é necessário obter autorização. É preferível, por isso, usar nome do princípio ativo, em lugar de nome de marca. É conduta mais segura para os autores e para o periódico de publicação. Principalmente, se o periódico for objeto comercial.



São, por lógica, aceitas como condições e regras para uso de marcas registradas e logotipos cuidados como os que seguem:



(1) uso honesto, imparcial e não enganoso;



(2) evitar usar marca registrada como substantivo. Indica-se usar a marca como adjetivo em referência a um substantivo apropriado: prescrever benzilpenicilina benzatina Benzetacil®, em lugar de prescrever Benzetacil;



(3) não pluralizar a marca registrada por isto lhe inferir caráter de substantivo comum;  (4) evitar pronomes possessivos com a marca registrada, já que se trata de propriedade particular;



(5) não abreviar o nome da marca;



(6) não associar o nome de marca a outras palavras, símbolos ou números, seja por composição vocabular, seja por hífenização;



(6) usar a grafia correta de acordo com o registro oficial;



(7) recomenda-se usar o modelo indicativo de marca registrada ®  ou ( R ) em todos material escrito, documentos, anúncios, diapositivos, cartas, memorandos, boletins para imprensa, título de textos;



(8) nos casos em que forem necessários esclarecimentos, incluir em nota de rodapé que se reconhece a posse da marca registrada;



(9) não usar as marcas registradas para bens ou serviços para os quais elas não foram originalmente destinadas;



(10) não alterar a marca registrada;



(11) não fazer trocadilhos nem apresentar as marcas de forma negativa;



(12) não incorporar as marcas registradas ao nome de autores, de outros produtos, serviços, de outras marcas registradas;



(13) não usar marcas visualmente parecidas que possam criar confusão.



Simônides Bacelar

Editoração == Endereços ==

Endereços
É necessário observar a forma de escrever endereços, particularmente, quando constam dos relatos científicos publicados.

Nas gramáticas e no Formulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras (VOLP, Voc. Ort. da Língua Portuguesa, 2004), não consta que bloco, casa, conjunto, edifício, lote e quadra devam ser escritos com inicial maiúscula quando usados num endereço. Consta que devem ser escritos com inicial maiúscula nomes próprios de edifícios e estabelecimentos públicos ou particulares, nomes de ruas, avenidas, largos, praças, travessas: Rua Rui Barbosa, Avenida W3, Praça do Bicalho. Portanto, pode-se escrever: SQN 308, bloco Z, apartamento 200 ou SHI Sul, QI 12, casa 8 ou lote 8. As siglas, porém, são escritas com letras maiúsculas.

Nos termos de endereçamento, é comum a omissão da abreviatura “n.o” e até mesmo da vírgula antes dela: Av. Chico Buarque 107. As formas variam na literatura. O VOLP traz o seguinte endereço, referente à Comissão de Lexicografia da Academia Brasileira de Letras: Avenida Presidente Wilson, 203 - 5.o andar - 20030-021 - Rio de Janeiro, RJ - Brasil.

À mingua de unanimidade sobre o tema, em situações formais, convém valer-se da praxe gramatical, do bom estilo de redação e do bom senso, pelo uso completo do termo de endereçamento: Avenida João Pedro, n.o 100, Edifício Mariana, 1.o andar, sala 200, CEP 20000-00, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Se o nome próprio do prédio incluir o substantivo edifício, este deve ser escrito com inicial maiúscula: Edifício Mariana.

De acordo com o padrão gramatical normativo, elementos coordenados (uma série de nomes, por exemplo) separam-se por notações como vírgulas, ponto-e-vírgula e conjunções coordenativas como e, nem, também. Desse modo, os elementos de um endereço em série se comportam como uma série coordenada. Logo, a praxe pelo maior número de usos é separar com vírgulas. Assim, em lugar de usar sinais variados, pode denotar mais qualidade de padronização escrever os endereços com separação de todos os elementos por vírgulas: SQN 300, bloco Z, ap. 500, Asa Norte, Brasília, Distrito Federal, CEP 7000-000, tel. 3000 1234, Brasil.

Simônides Bacelar

Brasília, DF
Editoração == Coisas não recebem aribuições humanas ==

Coisas não recebem aribuições humanas
Constitui coloquialismo repreensível usar expressões e termos próprios de ações humanas em relação a coisas (N. Spector, Manual para Redação de Teses, Dissertações e Projetos de Pesquisa, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1997, p. 63). Em relatos científicos formais, podem ser evitados exemplos como:

"O artigo fala sobre o assunto" (No artigo, refere-se sobre o assunto);

"O trabalho dizia que", (Os autores relataram que);

"O colédoco mediu 2 mm de calibre.". (O coledoco tinha 2 mm de calibre);

"O estudo conclui que o prognóstico é favorável.". (Concluiu-se no estudo que);

"Este trabalho analisou 1.200 pacientes". (Foram analisados 1.200 pacientes no trabalho);

"A lesão tem predileção por tal órgão ou tecido.". (A lesão é mais comum em...);

"A pesquisa não conseguiu demonstrar esse aspecto.". (Não se conseguiu demonstrar esse aspecto na pesquisa);

"Esse diagnóstico propõe  tratamento urgente.". (Esse diagnóstico é indicação de tratamento urgente);

"O tratamento pede antibióticos". (O tratamento inclui antibióticos);

"O ultra-som supeitou de...". (a ultra-sonografia nos levou a suspeitar de...);

"O microscópio diz", (A microscopia revelou-nos);

"O artigo descreve vários casos raros.". (Foram descritos vários casos raros no artigo);

"O simpósio discutirá...". (No simpósio se discutirá).



Em uma publicação formal, escreveu-se em forma coloquial: "A tampa da caneta não conseguia ser removida pois a mesma trancava e não passava na região subglótica". A expressão "a tampa não conseguia" confere animação ao corpo estranho. Seria mais feliz: A tampa da caneta não foi removida por que não passava pela região subglótica.  



"O baço mediu 8,2 cm em seu maior eixo": embora medir também signifique ter a extensão, essencialmente indica determinar por meio de instrumento de medida, avaliar, calcular. Melhor: O baço tinha 8,2 cm em seu maior eixo.



Em interpretação rigorosa no estilo científico, que se caracteriza por sua seriedade e rigorosidade, fatores que lhe conferem credibilidade, são as pessoas, geralmente médicos(as), autores, doentes que respondem, falam, dizem, oferecem, concluem, querem, não seres inanimados. Figuras de linguagem como metáforas, hipérboles, metonímias e outras vão bem como recursos didáticos mesmo em relatos científicos formais. Contudo, seu uso generalizado em lugar dos termos adequados pode indicar uso desprimoroso em redação científica.



Simônides Bacelar

Editoração == Iniciais maiúsculas inadequadas ==

Iniciais maiúsculas inadequadas
Nas redações médicas, mesmo publicadas em bons periódicos médicos, é comum encontrar-se



“paciente com Insuficiência Renal Aguda”,

“O Hipotiroidismo Congênito é endocrinopatia comum”,

“Houve benefícios com o uso de Metronidazol”,  

“Apresentou fratura da Apófise Espinhal“ e semelhantes.



Em alguns casos, é nítida a influência das siglas, como este exemplo copiado de um periódico:



“Os teste utilizados foram os seguintes: Tempo de Coagulação (TC), Tempo de Sangramento (TS), Retração de Coágulo (RC), Prova de Laço (PL) e Contagem de Plaqueta (CP)”; mas, no decorrer do texto, o autor não mais citou as siglas substitutivas.



Bons gramáticos contestam o uso de inicial maiúscula apenas como forma de destacar palavras. Essa forma não consta das normas contidas na instrução 49 do Formulário Ortográfico (Voc. Ort., Academia Bras. de Letras, 2004). São recursos adequados para destaque: letras itálicas, negrito, versaletes (tudo em letra maiúscula), espaçamento maior entre as letras, uso de letras com outra cor, traço subscrito. O uso de iniciais maiúsculas é regido por normas oficiais (Academia, ob. cit.), em que não consta a utilização supracitada.



Simônides Bacelar

Facultativo
Aprendi usar facultativo como sinônimo de médico com um professor de Propedêutica, que utilizava muito esse termo.

Procede do latim facultas, -atis, conexo com facilidade, capacidade, talento, habilidade, O Moraes (1813) registrou a expressão termos facultativos correlata a termos técnicos usados nas artes e ciências.

No latim medieval usava-se facultas como tradução do grego dynamis, poder, termo este usado por Aristóteles para designar uma arte ou ramo do saber humano (Chambers dic. of etym., 2000).

Facultas provém  de facere, fazer, que formou facilis e facilitas (pronuncia-se fakílitas, segundo os defensores do latim restaurado), que dá idéia de fazer com facilidade, que por evolução lingüística passou a significar capacidade, poder.(J. Ayto, Dic of word origins, 1993).

Assim, facultar significa primariamente facilitar, permitir, que formou facultativo na acepção de que permite que se faça ou não, daí o sentido de não obrigatório.

Do sentido de capacidade, passou a designar colégio universitário no latim medieval, de onde veio facultatif em francês (A. Douzat, Dic. etym, 1938) e desse idioma passou para o português, como dá o Houaiss (2001), com o sentido de médico, talvez em alusão ao saber do profissional médico, que em tempos idos era muito reverenciado como doutor, pessoa muito culta, que cursou uma faculdade.

Facultativo como sinônimo de médico está registrado em autorizados dicionários da língua portuguesa, inclusos dicionários médicos como o de Céu Coutinho e o Polisuk & Goldfeld.

É termo de uso ultraformal ou erudito.

Simônides Bacelar
Nomina anatomica
NOMINA ANATOMICA (TERMINOLOGIA ANATÔMICA). Vocabulário em latim da nomenclatura da anatomia humana, elaborado pela Comissão Internacional de Nomenclatura Anatômica, periodicamente atualizado desde sua primeira edição em 1936. Haver vários nomes para designar uma estrutura anatômica sempre foi comum, mas esse fato pode causar equívocos em comunicações científicas, especialmente entre os leitores de diferentes países.



Para deixar de parte confusões, em 1895, uma comissão de notáveis da Europa e do Estados Unidos da América reuniu-se em Basiléia, na Suíça, e formou-se a Basle Nomina Anatomica com nomenclatura em latim por não haver, àquela época, uma linguagem mais internacional.



Em novo congresso, em Paris, 1955, fez-se nova revisão e acréscimo de termos. Aprovou-se uma nomenclatura, que foi denominada Nomina Anatomica. Há médicos que desconhecem esse livro. No Brasil, em 1957, foi criada a Comissão de Nomenclatura da Sociedade Brasileira de Anatomia para o encargo de versão e adaptação dessa nomenclatura para o português.  



A ausência de epônimos nessa obra pode causar obstáculos à aceitação geral, tendo em vista  justas homenagens que trazem essas nominações.   Todavia, por constituir uma elaboração da entidade máxima da especialidade no País, é relevante que seja conhecida por todos, dada a necessidade de haver uma nomenclatura anatômica padronizada.



Atualmente a edição de 2001, com o título de Terminologia Anatômica, constitui importante fonte de referência. Há também a Nomina Histológica e a Nomina Embriológica e a Nomina Veterinária. Esta última é importante para uso dos que se dedicam às experimentações em animais.



Simônides Bacelar

Catarata
O nome científico dessa afecção ocular parece ser esse mesmo. É uma denominação muitíssima antiga, procedente do grego katarrhaktés, que se precipita, de katarroia, correr para baixo, de kata, para baixo, e rhein, correr, como se vê nos dicionários de etimologia.

Acreditavam os antigos que essa doença ocular devia-se à queda de um humor, explicação dada em diversos autores.

O elemento faco (do grego phakós, lentilha) é usado em referência ao cristalino (facomalácia, facectomia, facômetro, facoesclerose). O sufixo -faquia também é usado em referência ao cristalino (afaquia, microfaquia, pseudofaquia).

O termo mais coerente que se encontra na linguagem médica, de formação científica regular, é leucofaquia (do grego leukós, branco), que significa "afecção do cristalino branco". Embora exista a "catarata negra", o que na maioria dos casos se vê como catarata é uma opacidade esbranquiçada no cristalino, à qual calharia esse termo. Contudo, leucofaquia é denominação de outra doença, uma opacidade esbranquiçada, pequena e estacionária do cristalino. Mas seria um bom nome para catarata se ele existisse com esse significado também.

Simônides Bacelar
Tabes e nomes específicos
Do latim tabes, liquefação, decomposição, putrefação, de tabere, liquefazer, putrefazer-se.



Denomina, geralmente, a fase avançada da sífilis. Originalmente, designava qualquer doença desgastante. Bons dicionários ainda trazem tabes como qualquer definhamento do corpo. O termo tabes dorsalis (melhor, tabes dorsal) desde 1836 foi usado para denominar a ataxia locomotora por se acreditar ser conseqüência da deterioração da porção terminal da medula espinhal. Em 1876, foi identificada a sífilis como causadora do mal (W. Haubrich, Medical meanings, 1977), também se diz neurossífilis tabética. Pode-se grafar tabe (Fortes & Pacheco, Dic. médico, 1968).



Vários nomes são usados em lugar de tabes dorsal, ou seja, ataxia locomotora progressiva, esclerose dos cordões posteriores, degeneração cinzenta dos cordões posteriores, doença de Duchene de Boulogne. Anatomicamente, ocorre degeneração esclerótica dos cordões posteriores da medula com atrofia das raízes posteriores.



Também existem tabes amaurótica, tabes diabética, tabes espinhal, tabes mesentérica por tuberculose, tabes ergótica por intoxicação por ergot ou esporão de centeio com contaminação fúngica (Claviceps purpúrea), tabes cerebral, tabes cervical, tabes dorsal espasmódica, neurotabes, tabes pulmonar por tuberculose. Há nomes compostos derivados, como marcha tabetocerebelar e marcha tabetoespasmódica. Cognatos: tabescência, tabético, tabiforme, tabificação.



Tendo em vista essa grande variedade de tabes, convém especificar sua referência, em lugar de mencionar apenas tabes, que nesse caso configura nome vago, desadequado em relatos científicos formais.



Simônides Bacelar
Vícios de linguagem
Barbarismos. São erros de pronunciação, grafia, significação das palavras ou de formas gramaticais (Mattoso Camara Jr., Dic. de lingüística e gramática, 1996). Ex.: esterelizar (esterilizar), umbelical (umbilical), hidropsia (hidropisia), hemáceas (hemácias), petéqueas (petéquias), extase (estase) venosa, advinhar (adivinhar), subizídio (subsídio: pronuncia-se subcídio), adevogado, peneu, patologia como sinônimo de doença. Nos textos médicos, cremos que muitos barbarismos mais decorrem da falta de cuidadosa releitura do texto, que por desconhecimento gramatical do relator. Contudo, é o que consta na publicação. A seguir, listamos outros exemplos, encontrados na literatura médica: “Ao exame observasse lesão infiltrada”, “lesão extendendo-se (estendendo-se) para a região malar direita”, secreção cerosa, dor lascinante (lancinante), conecção,  hemogazometria (gasometria), impressindível (imprescindível).



Cacofonia. Combinação de sílabas de palavras vizinhas que resulta em som inconveniente, desagradável ou palavra obscena. Por exemplo, um achado (um machado), ele havia dado (aviadado), por cada (porcada), da nação (danação), vez passada (vespa assada), operou um só lado (solado), glucagão (melhor glucagon). A expressão “foi de”, muito usada em textos médicos, também lembra nome obsceno.



Estrangeirismo. Uso de termos estrangeiros. Exs.: a priori, best seller, habeas corpus, iceberg, idem, jazz, pizza, shopping center, rock, jazz. Os internacionalismos são desnecessários quando existem termos correspondentes em português. Por exemplo: chance (oportunidade, probabilidade, possibilidade), deficit (insuficiência, carência, falta), mesenterial (mesentérico), performance (atuação, execução, desempenho), design (plano, projeto, formatação), cromossomal (cromossômico). Com o tempo, algumas palavras estrangeiras são aportuguesadas, dicionarizadas e incorporadas ao nosso idioma: comitê (comissão), email (endereço eletrônico). Em nossa literatura médica, muitos termos são traduções questionáveis: anemia severa (severe anemia) por anemia grave ou intensa, deprivação (deprivation) por privação, "falência múltipla" de órgãos (multiple organ failure) insuficiência orgânica múltipla ou insuficiência de múltiplos órgãos.



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