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Análise das vestes Casos - Lesões por projetis de arma de fogo Caso PAF 33
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Índice
Ação Física Mecânica Perfurocontundente
Casos - Lesões por projetis de arma de fogo
Caso PAF 33
Caso PAF 01
Caso PAF 02
Caso PAF 03
Caso PAF 04
Caso PAF 05
Caso PAF 06
Caso PAF 07
Caso PAF 08
Caso PAF 09
Caso PAF 10
Caso PAF 11
Caso PAF 12
Caso PAF 13
Caso PAF 14
Caso PAF 15
Caso PAF 16
Caso PAF 17
Caso PAF 18
Caso PAF 19
Caso PAF 20
Caso PAF 21
Caso PAF 22
Caso PAF 23
Caso PAF 24
Caso PAF 25
Caso PAF 26
Caso PAF 27
Caso PAF 28
Caso PAF 29
Caso PAF 30
Caso PAF 31
Caso PAF 32
Caso PAF 35
Caso PAF 34  

 
 
   Lesão de entrada de balins e respectiva bucha disparado por espingarda praticamente encostada na fronte.
Caso PAF 33

                   

Caso PAF 01

                             
Neste caso, ocorreram, no mínimo, 6 disparos de arma de fogo.

Apenas cinco projetis de arma de fogo atingiram o corpo. Um dos projetis não tocou a vítima, entretanto, podemos concluir pela ocorrência deste disparo pela presença de tatuagem na região bucinadora esquerda, que não poderia ter sido produzida pelos outros cinco disparos.

A numeração utilizada não corresponde, necessariamente, à ordem dos disparos.

O projetil n. "3" foi disparado encostado na vítima. Observe a lesão e também as alterações na roupa. Este disparo foi oblíquo em relação à superfície do corpo.

O projetil n. "6", que não atingiu o corpo, foi disparado a curta distância.

Os projetis "1", "2", "4", "5" foram disparados à distância. As vestes não apresentavam sinais secundários do disparo.


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LAUDO DE EXAME DE CORPO DE DELITO Nº xxxxx/yyyy
(CADAVÉRICO)

À XXX XXXX DELEGACIA DE POLÍCIA

Aos dd dias do mês de mmmm do ano de yyyy, na cidade de Brasília, a fim de atender à requisição do(a) GUIA nº GG do(a) DDª DELEGACIA DE POLÍCIA, datado de dd/mm/yyyy, protocolo nº PPPPPP/yyyy, ocorrência nº OOO de yyyy da XXX XXXX DELEGACIA DE POLÍCIA, o infra-assinado perito médico-legista MALTHUS FONSECA GALVÃO, foi designado pelo Dr . XXXX XX XXXX, diretor do INSTITUTO DE MEDICINA LEGAL LEONÍDIO RIBEIRO, para proceder a exame de corpo de delito na pessoa abaixo identificada e responder aos quesitos formulados a seguir, descrevendo com verdade e com todas as circunstâncias o que encontraram, descobriram e observaram.


1. Identificação do periciando

(...)

2. Quesitos
1º) Houve morte?
2º) Qual a causa da morte?
3º) Qual o instrumento ou meio que produziu a morte?
4º) Foi produzida com o emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou decorrente de ato libidinoso?


3. Histórico
A morte ocorreu às 5 horas do dia 07/12/2014, em consequência de disparos de arma de fogo. O corpo deu entrada neste instituto às 10:22 horas do dia 7/12/2014, acompanhado da guia nº 95. A necrópsia se iniciou às 10h do mesmo dia.


4. Resumo

Óbito por 6 disparos de arma de fogo.
Um dos disparos somente produziu tatuagem.
4 disparos de posterior para anterior.
1 disparo encostado.
Óbito imediato sem socorro.
1 projetil recolhido.

5. Descrição

I) APRESENTAÇÃO:
Cadáver nú, com sujidades de sangue. Acompanhado de vestes também sujas de sangue e com as respectivas perfurações pelos projetis: camiseta de manga curta vermelha com imagens de surf e praia nas costas; bermuda com listras finas em verde, amarelo, azul e vermelho com as incrições da marca "ciclone"; casaco com capuz e manga comprida com listras largas cinza e azul; cueca azul.

II) IDENTIFICAÇÃO:

Cadáver adulto, masculino, leucoderma, olhos castanhos, arcada dentária natural completa, estética dentária conservada, cabelos
castanho-escuros cimótricos curtos, barba e bigode raspados com algum crescimento, estatura aproximada de xxx cm, massa corporal de yy Kg. Tatuagens policromáticas em .... conforme ilustrações.
Fisionomia e compleição física conforme ilustrações.
Identificado pelo Laudo de Perícia Necropapiloscópica - II nº xxxxx/yyyy.

III) EXAME:
Antes do exame necroscópico propriamente dito, o corpo foi todo radiografado e percebeu-se, entre outros: a)pneumotórax bilateral; b)presença de projetil de arma de fogo em região lateral direita do tórax, fora da caixa torácica, com enfisema subjacente; c) fratura da 6/7 ª vertebras cervicais com rastro de fragmentos metálicos compatível com passagem de projetil de arma de fogo e d) ausência de imagem de fratura ou perfuração na calota craniana.
Ao exame, resfriamento corporal, rigidez cadavérica plena, livores de hipóstase muito tênues em dorso.
O corpo foi alvejado por cinco disparos de arma de fogo, descritos a seguir em ordem não necessariamente correspondente à ordem dos disparos.
O corpo foi também atingido pelos elementos secundários (pólvora) de um sexto disparo de arma de fogo que, por razões anatômicas, o projetil não atingiu a vítima.
As mãos não apresentavam lesões ou vestígios de substâncias enegrecidas.

Projetil 01 – Orifício de entrada elíptico localizado na região parietal esquerda, sem tatuagem ou esfumaçamento, trajeto subcutâneo, extracraniano, de posterior para anterior, de superior para inferior, pouco da esquerda para a direita, com saída em região zigomática esquerda. Este projetil não adentrou o crânio.

Projetil 02 – Orifício de entrada oblongo localizado na região posterior do tronco, logo abaixo do pescoço, à esquerda, sem tatuagem ou esfumaçamento. Trajeto de posterior para anterior, da esquerda para a direita, pouco de inferior para superior, com saída em região lateral direita do pescoço. Este projetil produziu lesões em vasos cervicais e coluna vertebral cervical com fraturas.

Projetil 03 – Orifício de entrada relativamente circular com queimadura circunjacente excêntrica em região peitoral esquerda, na linha hemiclavicular, ao nível da axila, com trajeto da esquerda para a direita, de anterior para posterior e de superior para inferior. Adentrou o tórax, transfixou o pulmão esquerdo, a base cardíaca, o pulmão direito, saiu do tórax e ficou alojado na região lateral direita do tórax, subcutaneamente, no nível do sexto arco costal. O projetil recolhido, semi-encamisado com destacamento entre o núcleo e a camisa, foi encaminhado ao Laboratório de Balística Forense do Instituto de Criminalística da PCDF.

Projetil 04 – Orifício de entrada circular em região posterior do tronco, a cerca de 3cm à esquerda da linha média e no nível aproximado da axila, sem tatuagem ou esfumaçamento, trajeto de posterior para anterior, da esquerda para a direita e sem movimento horizontal significativo. Adentrou o tórax, transfixou os pulmões e saiu do tórax e do corpo em lesão dupla, talvez às custas de fragmentos costais, na região torácica anterior direita próximo à axila.

Projetil 05 - Orifício de entrada circular em região posterior do tronco, no ponto médio entre o plano sagital mediano e a linha axilar esquerda e pouco abaixo do nível da axila, sem tatuagem ou esfumaçamento, trajeto de posterior para anterior, da esquerda para a direita e sem movimento horizontal significativo. Adentrou o tórax, transfixou os pulmões e saiu do tórax e do corpo na região torácica anterior próximo à linha média, pouco abaixo do nível axilar.

Projetil 06 – Não existe orifício de entrada ou saída deste projetil. Apenas a presença de tatuagem em região bucinadora esquerda.

Além das lesões produzidas por projetis de arma de fogo, a vítima apresentava uma escoriação em face lateral do terço médio do braço esquerdo com cerca de 4x2 cm.


6. Exames solicitados
Colhida amostra genética conforme protocolo.
Colhido sangue para alcoolemia e toxicológico.


7. Discussão

QUANTIDADE DE DISPAROS
Ocorreram, no mínimo, 6 disparos de arma de fogo em direção à vítima, que foi atingida por 5 deles de forma direta e em um dos disparos de arma de fogo, a vítima foi alcançada apenas pela tatuagem.

FATALIDADE DOS DISPAROS
Dos 5 disparos que atingiram a vítima de forma direta, 4 eram fatais. Apenas o disparo de número “1” não era fatal.

DISTÂNCIA DOS DISPAROS
O disparo número 3 foi encostado, conclusão possível pela queimadura de bordas. O disparo número 6, cujo projetil não atingiu a vítima, foi a curta-distância, conclusão possível pela presença de tatuagem. Os demais projetis foram disparados em distância superior ao alcance efetivo da pólvora.

SEQUÊNCIA DOS DISPAROS
Relembremos que não foi possível determinar a cronologia dos disparos, entretanto, tendo em vista que 4 dos disparos eram fatais em pouco tempo e que todas as lesões ocorreram em vida, conclusão possível pela presença de reação vital, provavelmente os disparos ocorreram em uma sequência relativamente rápida.

CAUSA MORTIS
O óbito decorreu de choque hipovolêmico por rotura da artéria aorta. A sobrevida útil, ou seja, o tempo que a vítima pode exibir uma efetiva reação, neste tipo de lesão, é de menos de 10 segundos.

HIPOTESE DE IMPOSSIBILIDADE DE DEFESA
Observe que, dos seis disparos ocorridos, quatro ocorreram nas costas da vítima e, provavelmente, a vítima não viu os disparos sendo efetuados, o que permite considerar a hipótese de “impossibilidade de defesa”. Não existem vestígios que indiquem a ocorrência de luta corporal imediatamente antes do óbito.


8. Conclusão
Óbito por choque hipovolêmico decorrente de ações pérfuro-contundentes (disparos de arma de fogo).


9. Respostas aos quesitos
1º) Houve morte?
SIM.

2º) Qual a causa da morte?
CHOQUE HIPOVOLÊMICO.

3º) Qual o instrumento ou meio que produziu a morte?
AÇÃO PERFUROCONTUNDENTE.

4º) Foi produzida com o emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou decorrente de ato libidinoso?
CONSIDERAR A HIPÓTESE DE IMPOSSIBILIDADE DE DEFESA.


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Este laudo possui imagem(ns) que o integram.
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Resultado Laboratorial
O resultado do exame realizado no Laboratório de Toxicologia deste Instituto, no sangue do cadáver, resultou em Alcoolemia = 2,41 g/l (método - cromatografia gasosa)
Este nível de álcool no sangue produz, na maioria das pessoas, efeitos consideráveis.
Segundo Henry, John Bernanrd, entre 2,0 e 2,5g/L, a maioria das pessoas apresenta: "Distúrbios do equilíbrio e da coordenação; retardamento dos processos do pensamento e consciência obscurecida".
Segundo Larini, Lourival, entre 1,8 e 3,0g/L, a maioria das pessoas apresenta: "CONFUSÃO: Desorientação, confusão mental e vertigens. Estado emocional exagerado (medo, aborrecimento, aflição, etc). Distúrbios da sensação (diplopia, etc) e da percepção de cores, formas, movimentos e dimensões. Debilidade no equilíbrio, incoordenação muscular; vacilação no modo de andar e dificuldades na fala".
Segundo Oga, Seize, com uma alcoolemia de 2,0g/L, a maioria das pessoas apresenta: "centros de controle motor e emocional são consideravelmente afetados: fala pastosa; cambaleante; perda do equilíbrio (quedas são frequentes) e visão dupla pode ocorrer. Ainda segundo a mesma autora, com uma alcoolemia de 3,0g/L, a maioria das pessoas apresenta: "Dificuldade de entendimento do que é visto e ouvido; indivíduos ficam confusos ou em estupor e pode ocorrer perda da consciência".
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O resultado do exame laboratorial foi posterior à emissão do laudo.
A alcoolemia de 2,41 g/l corrobora a hipótese de impossibilidade de defesa já aventada no laudo.


Caso PAF 02

                   
Neste caso, apesar da putrefação, foi possível constatar que o disparo de arma de fogo ocorreu encostado à vítima.
Caso PAF 03

                                     
LAUDO DE EXAME DE CORPO DE DELITO Nº xxxxx/yyyy
(CADAVÉRICO)

À XXX XXXX DELEGACIA DE POLÍCIA

Aos dd dias do mês de mmmm do ano de yyyy, na cidade de Brasília, a fim de atender à requisição do(a) GUIA nº GG do(a) DDª DELEGACIA DE POLÍCIA, datado de dd/mm/yyyy, protocolo nº PPPPPP/yyyy, ocorrência nº OOO de yyyy da XXX XXXX DELEGACIA DE POLÍCIA, o infra-assinado perito médico-legista MALTHUS FONSECA GALVÃO, foi designado pelo Dr . XXXX XX XXXX, diretor do INSTITUTO DE MEDICINA LEGAL LEONÍDIO RIBEIRO, para proceder a exame de corpo de delito na pessoa abaixo identificada e responder aos quesitos formulados a seguir, descrevendo com verdade e com todas as circunstâncias o que encontraram, descobriram e observaram.


Identificação do periciando

(...)

Quesitos
1º) Houve morte?
2º) Qual a causa da morte?
3º) Qual o instrumento ou meio que produziu a morte?
4º) Foi produzida com o emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou decorrente de ato libidinoso?


Histórico
A morte ocorreu às 5 horas do dia 07/12/2014, em consequência de disparos de arma de fogo.
Não consta atendimento médico-hospitalar.
O óbito ocorreu provavelmente no local dos disparos.
O corpo deu entrada neste instituto às hh:mm horas do dia dd/mm/yyyy, acompanhado da guia nº gg.
A necrópsia se iniciou às xxh do dia dd/mm/yyyy.


5. Descrição

I) APRESENTAÇÃO:
Cadáver trajando cueca vermelha com cós branco com várias inscrições circunferenciais “DIOMEMS”. Acompanhou o cadáver uma camiseta vermelha (ilustrações 04 a 06), com vivos brancos, assim como o logotipo “ADIDAS” no peito direito e a inscrição “CLIMALITE” na região anterior inferior esquerda. Esta camiseta apresentava-se com sujidades de sangue, em especial na região superior direita. Esta camiseta foi atingida por disparo de arma de fogo, descrito a seguir. O corpo apresentava sujidades de sangue, em especial no polo cefálico e, aderidas à sujidades de sangue, diversas folhas com dimensões máximas de cerca de 8mm, conforme se observa nas ilustrações 01, 03, 11 e 15.

II) IDENTIFICAÇÃO:
Cadáver previamente identificado como XXXXXXXX, identidade confirmada necropapiloscopicamente.
A fisionomia do cadáver pode ser observada na ilustração 01.
Apresentava uma tatuagem abrangendo toda a face anterior e lateral da perna esquerda, intensamente colorida, com a imagem de um peixe, flores e uma folha sugestiva de canabis (ilustração 02) e outra tatuagem monocromática verde com a letra “D” e dois asteriscos em região deltoidea esquerda com maior dimensão de cerca de 4 cm (ilustração 03).

III) EXAME:
Cadáver em rigidez cadavérica plena, com livores de hipóstase não móveis em dorso, exceto zonas de pressão.
Apresentava duas escoriações próximas ao joelho esquerdo (ilustração 16), uma na face lateral do terço distal da coxa esquerda, alongada, com cerca de 6 x 1,5cm (ilustração 17) e outra na face lateral do terço proximal da perna esquerda com cerca de 3 x 1cm.
A vítima foi atingida por disparos de arma de fogo, descritos a seguir em ordem não necessariamente correspondente à ordem dos disparos, impossível de se determinar pelo exame médico legal no presente caso.

Projetil 01 – Entrada em região retro-auricular direita (ilustrações 08 e 09), com orifício ovalado, bordas definidas e invertidas, com mínimo halo de escoriação, com nítido halo de esfumaçamento excêntrico de cerca de 25mm na maior dimensão e halo de tatuagem também excêntrico, com maior alcance de cerca de 40mm, conforme ilustração. Este projetil cruzou o polo cefálico da direita para a esquerda, imediatamente abaixo da caixa encefálica e parou subcutaneamente em região retroauricular esquerda (ilustração 12), de onde foi recolhido um projetil de arma de fogo não encamisado, com deformação acidental (ilustrações 20 e 21), encaminhado ao Laboratório de Balística Forense do Instituto de Criminalística da PCDF. Este projetil, apesar de não ter adentrado a caixa encefálica, produziu intensas lesões encefálicas, em especial em sua base (ilustrações 18 e 19).

Projetil 02 – Entrada em região bucinadora direita (ilustração 08 e 10), com orifício relativamente circular, bordas definidas e invertidas, com halo de escoriação pouco excêntrico conforme ilustração, sem esfumaçamento e com zona de tatuagem abrangendo uma região com diâmetro de cerca de 10cm. Este projetil transfixou o polo cefálico e saiu do corpo em região submandibular esquerda (ilustração 12).

Projetil 3 – Entrada em região de comissura labial direita (ilustrações 08 e 11), com intenso esfumaçamento circunjacente, sem tatuagem, com orifício se coalescendo com a comissura labial, produziu fraturas dentárias e alveolares na bateria anterior superior e saiu pela boca.

Projetil 4 – Este projetil atingiu a camiseta (ilustrações 04, 05 e 06), em sua face anterior, com trajeto de cima para baixo e da direita para a esquerda, com primeira entrada em parte superior da manga direita, produzindo pregueamento na mesma, resultando em 5 entradas e 5 saídas, produzindo mínimas lesões em tórax, uma equimose em região clavicular direita e outra em região inframamária esquerda conforme ilustração 13.

Projetil 5 – Lesão tangencial produzida por projetil de arma de fogo na face posterior do punho esquerdo (ilustrações 14 e 15), sem tatuagem ou esfumaçamento. Apresentava regularidade da borda lateral, associado à presença de halo de escoriação apenas neste polo e nas bordas adjacentes ao mesmo e irregularidade do polo medial. A borda superior da lesão apresenta-se menos regular que a contralateral (ilustração 15).


Discussão


A escoriação na face lateral do terço distal da coxa esquerda (ilustração 17) aparentemente seria decorrente de um projetil de arma de fogo em uma lesão tangencial, entretanto, muito provavelmente não o é, pois o projetil recolhido no crânio é, como a maioria, dextrogiro, ao passo que a escoriação da coxa apresenta relevo peculiar que se tivesse sido produzido por projetil, o mesmo deveria ser levogiro (ilustração 17).

O Projetil 01, tendo em vista o nítido halo de esfumaçamento e tatuagem, foi disparado muito próximo do corpo, praticamente encostado. O trajeto foi da direita para a esquerda, sem deslocamentos significativos ântero-posteriores ou verticais. Este projetil pode ser considerado o mais letal de todos, pois apesar de não ter adentrado a caixa encefálica, produziu intensas lesões encefálicas, em especial em sua base.

O Projetil 02, tendo em vista a presença de zona de tatuagem, abrangendo uma região com diâmetro de cerca de 10cm, foi disparado a curta-distância (queima-roupa). O trajeto foi da direita para a esquerda, algo de anterior para posterior e sem deslocamentos verticais significativos.

O Projetil 03, tendo em vista a presença de intenso esfumaçamento, sem tatuagem, foi disparado encostado à pele. O trajeto foi da direita para a esquerda, algo de posterior para anterior.

O projetil 04, que atingiu a camiseta, iniciou seus efeitos na primeira entrada, que apresentava pigmentação plúmbea, sem vestígios dos elementos secundários do disparo, levando à conclusão de que este disparo ocorreu à distância, ou seja, em distância superior ao alcance do esfumaçamento ou da tatuagem, considerada a arma e a munição utilizadas. O trajeto foi de superior para inferior, da direita para a esquerda e sem deslocamentos ântero-posteriores significativos

O projetil 05, que atingiu o punho esquerdo, tendo em vista a ausência de tatuagem ou esfumaçamento, foi disparado à distância desta região. Observe que esta lesão pode ter sido produzida pelos projetis 2, 3 ou 4.

Da quantidade de disparos de arma de fogo.
O corpo apresentava quatro lesões produzidas por projetis de arma de fogo, 3 na cabeça e 1 no punho esquerdo, além de perfurações na camiseta, também produzidas por projetis de arma de fogo e vestígios deste projetil na face anterior do tórax. Isto não significa necessariamente que o corpo/vestes foi alvejado por cinco disparos de arma de fogo, pois é possível que um mesmo projetil tenha produzido mais de uma lesão. Como exemplo, o projetil 04, que atingiu a camiseta em sua face anterior, de cima para baixo, da direita para a esquerda, pode ter sido o mesmo responsável pela lesão descrita pelo projetil 05, na face posterior do punho esquerdo, que ocorreu de cima para baixo e de lateral para medial. Outra hipótese é a de que o projetil 02, que transfixou o polo cefálico da direita para a esquerda, seja o responsável pela lesão descrita como produzida pelo projetil 05, no punho esquerdo, assim como poderia ter sido produzida pelo PAF 03, que atingiu a comissura labial direita.
Portanto, o corpo foi atingido por um mínimo de 4 disparos e um máximo de 5.


Conclusão


Óbito por traumatismo crânio-encefálico decorrente de ações pérfuro-contundentes, projetis de arma de fogo disparados encostado, quase encostado e a curta-distância no polo cefálico.


Respostas aos quesitos
1º) Houve morte?
SIM.

2º) Qual a causa da morte?
TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO.

3º) Qual o instrumento ou meio que produziu a morte?
AÇÃO PERFUROCONTUNDENTE.

4º) Foi produzida com o emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou decorrente de ato libidinoso?
SEM ELEMENTOS.


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Este laudo possui imagem(ns) que o integram.
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Caso PAF 04

                           

Caso PAF 05

                                                                 
Caso com 11 disparos de arma de fogo, sendo 5 transfixantes. Portanto, 6 projetis recolhidos e encaminhados ao Laboratório de Balística Forense
Caso PAF 06

                                           
Vítima de 4 a 7 disparos de arma de fogo – Possível reentrada de 3 projetis – Óbito no local – Um disparo à queima roupa na mão em "posição de defesa" – Óbito por choque hipovolêmico.
Caso PAF 07

                           
Caso de disparo único em criança impúbere, transfixante no crânio.
Caso PAF 08

           
Caso no qual houve um disparo a curta distância no lábio superior, com esfumaçamento e tatuagem, além de outro disparo a distância.
Caso PAF 09

                           
Neste caso, ocorreram dois disparos de arma de fogo, observa-se marcas de amarria no punho. Um dos disparos de arma de fogo ocorreu a curta distância, conclusão possível pela presença de esfumaçamento tanto nas vestes quanto na pele.
Caso PAF 10

                     
Neste caso houve um disparo a curta distância no dorso, com tatuagem, transfixante, e outro no mento, a distância.
Caso PAF 11

                 
Neste caso houve a transfixação da mão, da região dorsal para a palmar, além de disparo que provavelmente tangenciou o antebraço e o peito.
Caso PAF 12

                                   
Neste caso, houve um disparo encostado que transfixou a vítima.
Caso PAF 13

                           
Caso com dois disparos de arma de fogo, um a curta distância e outro encostado.
Caso PAF 14

                                           
Antes do exame propriamente dito o corpo foi radiografado, constatando-se a presença de um projetil de arma de fogo na região de projeção anteroposterior pubiana com poucas esquírolas à esquerda do projetil, pneumotórax à esquerda e enfisema em região torácica superior esquerda.
O corpo apresentava lesões produzidas por 3 instrumentos pérfuro-contundentes descritos a seguir, em ordem não necessariamente correspondentes à ordem dos disparos.

1) Entrada em face lateral do terço médio da coxa direita, em orifício alongado, sem tatuagem ou esfumaçamento, trajeto subcutâneo de cerca de 40 mm e saída em face anterolateral do terço médio da coxa direita. O trajeto foi de posterior para anterior, de cima para baixo e da direita para a esquerda. Este projetil não atingiu nenhuma estrutura vital.

2) Entrada em nádega esquerda em orifício circular com escoriação concêntrica ao orifício, sem tatuagem ou esfumaçamento. O trajeto foi de posterior para anterior, ligeiramente de baixo para cima e um pouco da esquerda para a direita. Este projetil teve seu ponto final na região suprapubiana mediana, parcialmente fora do corpo, visualizável à ectoscopia. Este projetil transfixou a bexiga, o que impossibilitou a coleta de urina, e não lesou estruturas vitais como grandes vasos. Este projetil, não encamisado, deformado em seu ápice, foi recolhido e encaminhado ao Laboratório de Balística.

3) Entrada em região ilíaca esquerda, na linha axilar posterior, em orifício alongado com escoriação muito assimétrica, sem tatuagem ou esfumaçamento. Trajeto de trás para frente, de inferior para superior e da esquerda para a direita. Lesou de forma intensa o rim direito, o baço, transfixou o diafragma, lesou o pulmão direito, transfixou o coração, o pulmão esquerdo e saiu em orifício incomum na axila direita, sem, contudo, lesar a camisa nesta região. Este projetil de arma de fogo produziu hemotórax de cerca de 1.500 ml à direita e 800 ml à esquerda.
Caso PAF 15

                                   
Vitima de 4 ou 5 projetis de arma de fogo, todos com entradas em regiões posteriores do corpo. Perfuração cardíaca. Duas lesões podem ter sido produzidas pelo mesmo projetil.
Caso PAF 16

       
Neste caso um projetil de arma de fogo foi disparado a curta distância, conclusão possível pela presença de tatuagem circunjacente ao orifício de entrada.
Adentrou o corpo na face lateral do terço superior do braço direito, saiu na face medial e reentrou no tórax.
Caso PAF 17

     
Disparo de projetil de arma de fogo .40 encostado na cabeça de um jovem. Câmara de mina de Hoffmann. Na saída observe as roturas cutâneas circunjacentes ao orifício de saída, produzidas pelas fraturas ósseas subjacentes.
Caso PAF 18

                   
Caso com dois projetis de arma de fogo disparados a distância, de posterior para anterior.
O disparo que transfixou o braço direito produziu fratura umeral e o orifício de saída foi suturado. A vítima faleceu no centro cirúrgico.
A numeração não corresponde necessariamente à ordem dos disparos, impossível de se determinar no presente caso.
Caso PAF 19

                                               

Caso PAF 20

                                               
Vítima de 2 disparos de arma de fogo de projetil simples, tangenciais, e de 1 disparo de projetil múltiplo (tipo espingarda) e lesões contusas na cabeça – Óbito sem atendimento médico – Causa Mortis: Choque Hipovolêmico. Ausência de lesões de defesa.
Caso PAF 21

                       
Neste caso, diversos disparos de múltiplos balins atingiram o corpo de forma oblíqua. Observe balins subcutâneos pela translucidez da cutis.
Caso PAF 22

                             
O aspecto cicatricial evolutivo da lesão de entrada do projetil é compatível com a evolução do quadro, cerca de um mês.
A presença da bucha dentro dos tecidos e a entrada de todos os balins pelo orifício único, afirmam que o disparo não ocorreu à distância. A ausência de vestígios de tatuagem circunjacente à entrada (observe o lapso temporal), indica fortemente que o disparo não ocorreu a curta distância, o que leva à conclusão de que este disparo ocorreu encostado à vítima.
A munição utilizada é compatível com cartuchos calibre 26 da CBC, do tipo calçável por armas como o revólver Taurus RT 410, pela quantidade de balins e, especialmente pela forma da bucha. Os elementos balísticos recuperados, balins e bucha, foram encaminhados para o Laboratório de Balística.
Caso PAF 23

                                             
Múltiplas lesões por projetil de arma de fogo.
Caso PAF 24

                           
Lesão encefálica sem que o projetil penetrasse na cavidade craniana.
Caso PAF 25

                                     

Caso PAF 26

             
Disparo a curta distância no dorso da mão, com tatuagem, esfumaçamento e queimadura, transfixação e muito provável reentrada em fronte.
Caso PAF 27

                                                                   
Caso de disparo único disparado encostado e obliquamente à superfície do crânio, produzindo o fenômeno "buraco de fechadura" (Key Hole).
Caso PAF 28

           
Neste caso, de projetil único com entrada no dorso e saída na face anterior do tórax, ocorreu uma saída apoiada, com formação de escoriação com a textura do objeto sobre o qual a pele se apoiou, no caso, vestes. Este sinal é descrito como Sinal de Romanese.
Epônimos
Caso PAF 29

                                     
Disparo encostado no peito. O Perito Médico Legista não define com seu exame se o fato foi suicídio, homicídio ou até acidente, posto que as lesões experimentadas podem são equivalentes.
Caso PAF 30

                 
Disparo de espingarda 12 a curta distância, segundo histórico, acidental.
Caso PAF 31

             
Disparo de projetil único a curta distância, com tatuagem muito esparsa, praticamente sem deslocamentos horizontais ou laterais, entretanto, atingiu a superfície do corpo de forma inclinada.

Caso PAF 32

           
Caso com diversos disparos de projetis únicos disparados a curta distância. Entradas oblíquas em couro cabeludo.
Caso PAF 35

                           
Disparos a curta distância.
Caso PAF 34

                                   
Lesão de entrada de balins e respectiva bucha disparado por espingarda praticamente encostada na fronte.



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